O Brasil voltou a perder espaço no cenário internacional ao registrar seu pior desempenho histórico no Ranking Mundial de Competitividade 2026. O país caiu sete posições em relação ao ano anterior e passou a ocupar a 65ª colocação entre as 70 economias analisadas pelo estudo elaborado pelo IMD World Competitiveness Center (WCC), em parceria com a Fundação Dom Cabral (FDC).
O resultado representa um retrocesso significativo após a melhora observada em 2025, quando o Brasil havia alcançado a 58ª posição — seu melhor desempenho desde 2020. Agora, o levantamento aponta que o ambiente econômico brasileiro enfrenta desafios ainda maiores para promover investimentos, inovação e crescimento sustentável.
Queda reflete piora em todos os pilares avaliados
O Ranking Mundial de Competitividade é considerado um dos principais indicadores internacionais sobre o ambiente de negócios. Publicado há 38 anos, o estudo mede a capacidade de cada economia de criar condições favoráveis para o desenvolvimento das empresas, sejam elas públicas ou privadas.
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Nesta edição, o Brasil apresentou deterioração nos quatro pilares que compõem a análise:
- Desempenho econômico;
- Eficiência do governo;
- Eficiência empresarial;
- Infraestrutura.
Além da queda geral, o país terminou na última colocação mundial em dois indicadores considerados estratégicos para o crescimento econômico: custo de capital e educação básica.
Segundo os pesquisadores, esses fatores reduzem a competitividade nacional, dificultam novos investimentos, aumentam o custo para produzir e limitam os ganhos de produtividade.
Avaliação reúne centenas de indicadores
A metodologia utilizada pelo levantamento reúne 341 indicadores, combinando estatísticas internacionais com pesquisas de percepção realizadas junto a empresários e executivos sobre o ambiente de negócios em cada país.
No Brasil, a pesquisa é conduzida em parceria com o Núcleo de Inovação, Inteligência Artificial e Tecnologias Digitais da Fundação Dom Cabral, localizado em Nova Lima (MG).
Os critérios analisam aspectos como qualidade institucional, estabilidade econômica, infraestrutura, sistema educacional, mercado de trabalho, inovação, ambiente regulatório, produtividade e acesso ao crédito.
Desafios estruturais permanecem
Especialistas apontam que a posição brasileira continua sendo influenciada por problemas estruturais históricos, entre eles:
- elevada carga de juros;
- custo elevado do crédito para empresas;
- baixa qualidade da educação básica;
- burocracia;
- insegurança jurídica;
- infraestrutura deficiente;
- baixa produtividade da economia.
Esses fatores reduzem a capacidade de o país competir em igualdade com economias mais desenvolvidas e até mesmo com outros mercados emergentes.
Competitividade influencia crescimento econômico
A competitividade é considerada um dos principais fatores para atrair investimentos nacionais e estrangeiros, gerar empregos e aumentar a produtividade.
Países mais competitivos costumam oferecer maior segurança jurídica, ambiente regulatório mais eficiente, infraestrutura moderna, educação de qualidade e maior facilidade para abertura e expansão de empresas.
O desempenho brasileiro no ranking reforça a necessidade de políticas públicas voltadas à melhoria da educação, ampliação da infraestrutura, redução do custo do crédito e aumento da eficiência do ambiente de negócios.