Jackson Pinto da Silva foi condenado pelo Tribunal do Júri de Cuiabá, nesta terça-feira (20), pelo feminicídio da esposa, Nilza Moura de Sousa Antunes, de 64 anos. O julgamento também reconheceu a responsabilidade do réu pelos crimes de ocultação de cadáver e comunicação falsa de crime. A sessão foi realizada na Capital e terminou após os sete jurados acolherem a acusação apresentada pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). (TJ Mato Grosso)
O crime aconteceu em maio de 2026, no bairro Parque Cuiabá. De acordo com a denúncia, Nilza foi morta dentro da residência onde vivia com Jackson. O Ministério Público sustentou que o feminicídio ocorreu em um contexto de violência doméstica e familiar e apontou que a vítima não teve possibilidade de defesa.
A acusação também apresentou uma possível motivação patrimonial para o crime. Segundo o processo, Jackson teria realizado movimentações financeiras em benefício próprio e buscado assumir o controle dos bens e recursos da esposa. Outras reportagens sobre o caso apontam que Nilza possuía patrimônio formado por imóveis e veículos, e que movimentações financeiras teriam sido feitas antes e depois da morte. (Estadão MT)
Após o assassinato, conforme demonstrado pelo Ministério Público, Jackson teria levado o corpo para outro imóvel pertencente à vítima. Para ocultá-lo, contratou uma retroescavadeira sob a justificativa de que faria uma obra no terreno. O corpo acabou sendo localizado no imóvel durante as investigações. (Primeira Página)
A tentativa de encobrir o crime não teria terminado com a ocultação do corpo. Segundo a investigação, equipamentos de armazenamento das câmeras de segurança da residência foram retirados. Jackson também teria utilizado o celular da esposa para enviar mensagens aos familiares e criar uma falsa história de sequestro.
A família chegou a receber mensagens com uma suposta exigência de resgate. De acordo com informações apresentadas durante a investigação, uma quantia chegou a ser transferida enquanto os familiares acreditavam estar lidando com um possível sequestro. (TJ Mato Grosso)
O próprio Jackson também procurou a Polícia Civil para comunicar o suposto desaparecimento da esposa. Entretanto, os investigadores encontraram contradições na versão apresentada. Segundo o TJMT, durante a apuração, o acusado acabou confessando o crime e indicou onde o corpo havia sido enterrado. (TJ Mato Grosso)
Durante o julgamento, o promotor de Justiça Vinícius Gahyva sustentou que o caso não deveria ser analisado apenas como um assassinato, mas considerando também as circunstâncias relacionadas à violência doméstica e ao interesse patrimonial apontado pela acusação. Os jurados aceitaram a tese do Ministério Público e consideraram Jackson culpado pelos três crimes. (VGN – Notícias em MT com credibilidade)
Na sentença, a juíza Mônica Catarina Perri Siqueira estabeleceu 31 anos e três meses de reclusão em regime inicialmente fechado, além de um mês e 15 dias de detenção. A magistrada também determinou o pagamento de dias-multa e uma indenização mínima aos herdeiros da vítima. O TJMT informou ainda que o condenado está preso desde 5 de maio e deverá iniciar imediatamente o cumprimento da pena, não podendo aguardar em liberdade a análise de eventuais recursos. (TJ Mato Grosso)
O julgamento encerra a fase do Tribunal do Júri sobre a responsabilidade criminal de Jackson pelos fatos denunciados. O caso chama atenção não apenas pela condenação por feminicídio, mas também pela tentativa de criar uma falsa narrativa de desaparecimento para dificultar a investigação e esconder a autoria do crime.