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A cobertura vacinal apresentou melhora na maior parte dos indicadores acompanhados pelo Projeto Vacinômetro em Mato Grosso entre junho e setembro de 2026. O levantamento, realizado pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), identificou aumento em 59,75% das comparações analisadas, mostrando avanço na imunização em diferentes faixas etárias. Apesar disso, alguns indicadores tiveram queda significativa e continuam exigindo atenção das autoridades de saúde.

Criado em 2023, o Projeto Vacinômetro acompanha a situação da vacinação em 42 municípios mato-grossenses, selecionados por apresentarem os menores índices de cobertura do estado. O grupo representa aproximadamente 30% dos municípios de Mato Grosso. O objetivo é acompanhar a evolução da imunização e fornecer informações que possam ajudar o poder público a identificar regiões com maiores dificuldades para alcançar as metas de vacinação.

O monitoramento é coordenado pela Procuradoria de Justiça Especializada na Defesa da Cidadania, do Consumidor, dos Direitos Humanos, das Minorias, da Segurança Alimentar e do Estado Laico, com execução do Núcleo de Estatística e Gestão Estratégica do Departamento de Planejamento e Gestão (Deplan). Os dados utilizados são fornecidos pela Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso (SES-MT).

Na edição mais recente, foram analisados 16 indicadores de vacinação, contemplando crianças, adolescentes e diferentes tipos de imunizantes. Entre as crianças menores de um ano, estão vacinas como BCG, febre amarela, meningocócica C, pentavalente, pneumocócica, poliomielite e rotavírus. Para crianças menores de dois anos, também foram acompanhadas as coberturas de hepatite A, tríplice viral e varicela.

Entre os adolescentes, o levantamento avaliou principalmente a vacinação contra HPV e a meningocócica ACWY, considerando diferentes idades entre 11 e 14 anos.

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Os números gerais mostram uma evolução positiva. Das 2.256 comparações realizadas entre os períodos de junho e setembro, 1.348 apresentaram aumento da cobertura, enquanto 803 registraram redução e 105 permaneceram estáveis. Em termos percentuais, os avanços representaram 59,75% das análises, contra 35,59% de quedas e 4,65% de manutenção.

Outro resultado considerado positivo foi observado na distribuição dos municípios. 103 municípios apresentaram crescimento em pelo menos nove dos 16 indicadores avaliados, enquanto 58 comarcas tiveram melhora na maioria das coberturas analisadas.

Entre os imunizantes que apresentaram os maiores avanços está a vacina contra varicela, cuja cobertura aumentou 11,34 pontos percentuais. A vacinação contra hepatite A cresceu 10,95 pontos percentuais, enquanto a imunização contra o HPV entre meninos registrou alta de 9,36 pontos percentuais.

O resultado relacionado ao HPV chama atenção porque o crescimento ocorreu em todo o estado: os 141 municípios de Mato Grosso apresentaram aumento na cobertura da vacinação contra o HPV tanto entre meninas quanto entre meninos. A imunização é uma das principais estratégias de prevenção contra infecções pelo papilomavírus humano, que pode estar relacionado ao desenvolvimento de diferentes tipos de câncer.

Mesmo com o cenário predominantemente positivo, o levantamento revelou uma queda importante na vacinação contra a meningocócica ACWY entre adolescentes de 11 anos. O indicador apresentou redução de 22,98 pontos percentuais entre os períodos analisados, sendo o principal ponto de atenção identificado pelo projeto.

A vacina meningocócica ACWY protege contra quatro grupos da bactéria Neisseria meningitidis — A, C, W e Y — que podem provocar meningite e outras infecções graves. No Sistema Único de Saúde (SUS), a vacina faz parte da estratégia de imunização para crianças e adolescentes dentro das faixas etárias estabelecidas pelo Programa Nacional de Imunizações.

A queda entre adolescentes reforça um desafio que vai além da disponibilidade da vacina: garantir que o público-alvo realmente compareça aos postos de vacinação. Diferentemente da vacinação de bebês, que costuma estar mais vinculada ao acompanhamento dos primeiros anos de vida, a atualização da carteira vacinal na adolescência pode ser esquecida por famílias e pelos próprios jovens.

Por isso, os dados do Vacinômetro podem servir para direcionar ações específicas dos municípios, como busca ativa de pessoas com doses pendentes, campanhas de conscientização e integração entre escolas, unidades de saúde e famílias.

O acompanhamento também permite identificar que a evolução da cobertura não ocorre de maneira uniforme em todo o estado. Enquanto alguns municípios conseguem avançar em vários indicadores simultaneamente, outros ainda enfrentam dificuldades para alcançar níveis considerados adequados de imunização.

Para o Ministério Público, esse tipo de monitoramento funciona como uma ferramenta de acompanhamento das políticas públicas de saúde. Ao identificar onde as coberturas estão aumentando ou diminuindo, os dados podem orientar medidas destinadas a ampliar a proteção da população e evitar o retorno ou a circulação de doenças que podem ser prevenidas por vacinação.

Os resultados de setembro, portanto, apresentam um cenário de avanço geral, mas com pontos de alerta. A melhora em 12 dos 16 indicadores demonstra progresso na imunização de Mato Grosso, enquanto a queda expressiva da meningocócica ACWY entre adolescentes mostra que ainda existem grupos que precisam de ações específicas para recuperar a cobertura.

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Jornalista: José Claudenir de Almeida – DRT nº 0001650

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