As emissões brutas de gases de efeito estufa (GEE) do Brasil caíram 6% em 2025, alcançando o menor nível registrado em oito anos. O resultado foi impulsionado principalmente pela redução do desmatamento, especialmente no setor de mudança de uso da terra. Os dados fazem parte da 14ª edição do Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SEEG), do Observatório do Clima, divulgada nesta quarta-feira (21).
Segundo o levantamento, o país liberou aproximadamente 2,06 bilhões de toneladas de CO₂ equivalente (CO₂e) em 2025, contra cerca de 2,19 bilhões de toneladas no ano anterior. A redução interrompe uma sequência de níveis elevados de emissões e coloca o Brasil mais próximo de suas metas climáticas.
A principal explicação está na diminuição das emissões associadas à mudança de uso da terra, categoria que inclui principalmente o desmatamento. Em 2025, esse setor registrou 814 milhões de toneladas de CO₂e, uma redução de 15% em relação aos 957 milhões de toneladas estimados para 2024.
A queda é significativa porque o desmatamento tem um peso muito grande na trajetória das emissões brasileiras. Quando uma área de floresta é derrubada, o carbono armazenado na vegetação e no solo pode ser liberado para a atmosfera, aumentando a concentração de gases que contribuem para o aquecimento global.
Emissões líquidas também recuaram
O desempenho melhora ainda mais quando são consideradas as emissões líquidas, que descontam do total o carbono retirado da atmosfera por florestas e outras áreas que funcionam como sumidouros de carbono.
Nesse cálculo, a redução em 2025 foi de 9%, levando as emissões líquidas brasileiras para aproximadamente 1,41 bilhão de toneladas de CO₂e. Esse foi o menor nível desde 2012.
Mesmo com o avanço, o Brasil ainda não atingiu completamente a meta climática estabelecida para 2025. O país ficou cerca de 85 milhões de toneladas de CO₂e acima do limite previsto. A diferença, entretanto, foi menor do que a observada em anos anteriores.
O resultado mostra que a redução do desmatamento tem efeito direto sobre o balanço climático brasileiro, mas também evidencia um desafio: diminuir as emissões de forma mais ampla, envolvendo os demais setores da economia.
Outros setores continuam sendo um desafio
O SEEG acompanha cinco grandes setores: agropecuária, energia, mudança de uso da terra, processos industriais e resíduos. A plataforma reúne dados nacionais, estaduais e municipais e utiliza o conceito de CO₂ equivalente para permitir a comparação entre diferentes gases de efeito estufa.
A dependência da redução do desmatamento é um dos pontos que merecem atenção. Em análises anteriores, o Observatório do Clima já havia alertado que avanços concentrados no controle da derrubada de florestas não são suficientes para garantir uma trajetória sustentável de redução das emissões, especialmente porque setores como energia, agropecuária, indústria e resíduos também precisam reduzir seus impactos.
Isso significa que o resultado de 2025 é positivo, mas não representa que o problema climático esteja resolvido. Para manter a tendência de queda, será necessário combinar a proteção dos biomas com medidas de redução de emissões em outras atividades econômicas.
Desmatamento continua sendo peça-chave
A relação entre desmatamento e emissões ajuda a explicar por que mudanças nas taxas de destruição da vegetação provocam variações tão grandes no balanço brasileiro.
Em 2025, a redução das emissões líquidas do setor de mudança de uso da terra chegou a 48%, passando de 311 milhões para 162 milhões de toneladas de CO₂e. Esse foi o menor valor registrado para o setor em toda a série histórica do SEEG.
O cenário reforça a importância de políticas de fiscalização, combate ao desmatamento ilegal, proteção de áreas preservadas e recuperação de áreas degradadas. Ao mesmo tempo, especialistas defendem que a redução precisa ser acompanhada por mudanças estruturais nos setores que continuam emitindo grandes quantidades de gases.
Para o Brasil, que possui uma das maiores áreas de vegetação tropical do planeta e assumiu compromissos internacionais de redução de emissões, a manutenção dessa trajetória será fundamental nos próximos anos.
O resultado de 2025, portanto, traz uma notícia positiva: o país está emitindo menos gases de efeito estufa e atingiu seu menor nível bruto em oito anos. Mas os números também mostram que ainda existe uma distância a percorrer para cumprir integralmente as metas climáticas e garantir uma redução consistente das emissões em todos os setores.