O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, determinou no último sábado (11) a apreensão do passaporte do publicitário Thiago Miranda, investigado na 10ª fase da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal (PF). A medida integra o conjunto de ações autorizadas pela Corte para aprofundar as investigações sobre um suposto esquema de atuação clandestina voltado à manipulação da opinião pública e ao monitoramento ilegal de autoridades e jornalistas.
A Operação Compliance Zero foi deflagrada na quinta-feira (9) e apura a existência de uma organização criminosa que, segundo a Polícia Federal, teria utilizado estratégias de comunicação digital para influenciar debates públicos, promover campanhas coordenadas nas redes sociais e atacar instituições públicas. Entre os principais alvos das ações estaria o Banco Central, que teria sido alvo de uma ofensiva para enfraquecer sua credibilidade durante o processo que culminou na liquidação do Banco Master.
De acordo com os investigadores, Thiago Miranda é apontado como um dos responsáveis por coordenar a estratégia de comunicação do grupo. A suspeita é de que ele tenha organizado campanhas nas redes sociais e contratado influenciadores digitais para defender interesses ligados ao Banco Master, além de promover críticas direcionadas ao Banco Central em meio às decisões regulatórias envolvendo a instituição financeira.
As investigações também apontam que a suposta organização criminosa teria atuado em outras frentes. Segundo a Polícia Federal, o grupo é suspeito de intimidar jornalistas, monitorar pessoas ligadas a autoridades públicas e obter informações sigilosas de forma ilegal. O objetivo dessas ações, conforme as apurações, seria reunir dados estratégicos e exercer pressão sobre agentes públicos e profissionais da imprensa.
A apreensão do passaporte de Thiago Miranda busca evitar eventual saída do investigado do país enquanto as investigações seguem em andamento. A medida cautelar foi autorizada pelo ministro André Mendonça com base nos elementos apresentados pela Polícia Federal e não representa condenação ou reconhecimento de culpa, servindo para garantir o regular andamento do inquérito.
O caso ocorre em meio ao aumento da atenção das autoridades sobre o uso das redes sociais para influenciar decisões econômicas e políticas, especialmente em episódios que envolvem o sistema financeiro nacional. A investigação pretende esclarecer o alcance da atuação do grupo, identificar todos os envolvidos e verificar se houve financiamento de campanhas digitais destinadas a pressionar órgãos públicos e interferir em processos regulatórios.
Até o momento, a defesa dos investigados não havia se manifestado publicamente sobre as acusações. As investigações continuam sob sigilo e novas diligências não estão descartadas pela Polícia Federal.