Oliver Golden Grayson tinha apenas 3 anos e morreu depois de ser espancado pelo próprio pai em Viamão, no Rio Grande do Sul. O que se descobriu nos dias seguintes ao crime foi uma história que já havia acendido alertas em outro estado. A família morou em Santa Catarina em 2025, e o menino, assim como seus irmãos, chegou a ser afastado dos pais por três meses após denúncias de vizinhos sobre supostas agressões.
O caso teve início quando o missionário norte-americano Dandre Jermaine Grayson, pai do menino, levou a criança ao hospital de Viamão no dia 5 de julho. Diante da gravidade dos ferimentos, a equipe médica acionou a polícia. O pai confessou ter dado socos no peito e no abdômen do filho e batido a cabeça da criança contra o chão.
A motivação, segundo ele, foi o menino não lhe ter dado “bom dia”. Oliver ficou internado em estado gravíssimo na UTI pediátrica do Hospital de Pronto Socorro de Porto Alegre e morreu na noite de quarta-feira, 8 de julho.
Antes da tragédia, porém, houve sinais. Em março de 2025, quando a família vivia em Palmitos, no Oeste catarinense, vizinhos denunciaram agressões físicas contra uma das crianças. O Ministério Público de Santa Catarina, o Conselho Tutelar e a Polícia Militar foram até a residência. Não encontraram marcas de violência no corpo da criança naquele momento, e os filhos estavam saudáveis, bem vestidos e em ambiente higiênico.
Ainda assim, diante das denúncias e de registros anteriores contra a família em outro estado, os órgãos protetivos optaram por afastar as crianças cautelarmente. O acolhimento institucional durou cerca de três meses.
Durante o período, psicólogos e assistentes sociais forenses concluíram que os pais tinham condições psíquicas de manter a guarda. Um relatório do Serviço de Proteção Social registrou que as crianças demonstravam forte vínculo afetivo com os pais durante as visitas assistidas, procurando abraçá-los e demonstrando desejo de retornar ao convívio familiar. Com base nesses laudos, a Justiça determinou a volta das crianças ao lar em junho de 2025.
O acompanhamento continuou pela assistência social, sem novas ocorrências registradas. Dois meses depois, a família se mudou para o Rio Grande do Sul, e o MPSC solicitou a transferência do procedimento protetivo para a Vara da Infância e da Juventude de Viamão.
O pai foi preso em flagrante no hospital e teve a prisão preventiva decretada. A mãe, Mayanna Angelina Rodgers, também foi presa preventivamente por omissão. A defesa dela afirma que ela é vítima e se encontrava em estado de grave vulnerabilidade no contexto de violência doméstica, física, emocional e espiritual. A família vive no Brasil há nove anos e estava em Viamão havia cerca de oito meses.