O Irã entrou em uma nova e perigosa fase de sua história. O líder supremo Mojtaba Khamenei publicou uma mensagem nas redes sociais neste sábado afirmando que a vingança pela morte de seu pai, o aiatolá Ali Khamenei, é uma exigência do povo iraniano e que deve ser realizada. A declaração ocorreu logo após o funeral de quatro dias do ex-líder, morto em um ataque aéreo dos Estados Unidos no dia 28 de fevereiro.
“A vingança pelo mártir do Irã é a exigência do nosso povo e, com toda a certeza, deve ser realizada. Esses criminosos, cuja lista completa — do primeiro ao último — está em nossas mãos, levarão para o túmulo o desejo de ter uma morte tranquila, em sua própria cama”, escreveu o novo aiatolá, que ainda não fez nenhuma aparição pública desde o ataque. Agências de notícias locais afirmam que ele está com o rosto desfigurado após ser atingido.
As palavras de Mojtaba acendem ainda mais uma região que já está à beira de um conflito de grandes proporções. Na sexta-feira, o presidente americano Donald Trump respondeu com uma ameaça direta: disse que mil mísseis estão prontos e carregados contra o Irã e que milhares de outros poderiam ser lançados em seguida.
A postagem de Trump veio depois de apoiadores do governo iraniano entoarem palavras de ordem pedindo a morte do presidente americano durante o funeral do aiatolá Ali Khamenei.
Neste sábado, uma fonte próxima à equipe de negociação do Irã afirmou que o país descarta qualquer diálogo sobre a guerra enquanto os Estados Unidos não cumprirem acordos previamente estabelecidos.
A lista de exigências inclui a criação de um grupo de trabalho especial para o Líbano, a resolução da passagem pelo Estreito de Ormuz e o retorno à normalidade das exportações de petróleo iraniano. A agência Fars, ligada ao governo, informou que o Irã não apresentou nenhum pedido para negociar e que descarta a possibilidade de discussão enquanto Washington não recuar de suas posições.
A escalada retira qualquer perspectiva de distensão entre as duas nações. Nesta semana, Trump já havia declarado que o acordo de paz com o Irã estava encerrado e lançado novos ataques contra Teerã. O que se vê agora é um tabuleiro de xadrez em que cada movimento torna o próximo mais arriscado que o anterior.