CentroesteNews
24/09/2025
O Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) de Sinop denunciou, nesta segunda-feira (22), 53 pessoas pelos crimes de organização criminosa, tráfico de drogas e associação para o tráfico. A acusação é resultado da Operação Joia Rara, deflagrada em junho deste ano, que teve como objetivo desarticular uma facção atuante em diversas cidades de Mato Grosso, principalmente em Guarantã do Norte e Novo Mundo.
Segundo a denúncia, o grupo funcionava como uma empresa do crime, com divisão de tarefas, rigoroso controle financeiro e comunicação interna organizada. Entre os denunciados, havia líderes, tesoureiros, distribuidores, lojistas (traficantes locais), responsáveis pelo apoio logístico e financeiro, além de membros encarregados de monitorar a ação policial e a comunicação da facção.
Os líderes locais coordenavam o tráfico, aplicavam punições internas e organizavam a logística de distribuição de drogas. Os tesoureiros cuidavam da arrecadação e repasse de valores à facção, enquanto os chamados “lojistas” atuavam diretamente na venda de entorpecentes em diferentes pontos de comércio.
As investigações também comprovaram que o tráfico era praticado em locais de grande circulação de pessoas, como bares, frigoríficos, festas e casas de prostituição. Além disso, adolescentes eram aliciados para participar das atividades criminosas.
A denúncia destaca ainda que as atividades continuavam a ser comandadas mesmo dentro das unidades prisionais do Estado. Um dos líderes, identificado como D. J. O. M., controlava a facção de dentro da prisão, determinando regras, punições e operações do grupo. A pedido do Gaeco, a Justiça determinou a inclusão dele no Regime Disciplinar Diferenciado (RDD). Outros detentos ligados à facção foram encaminhados ao Regime Penal Disciplinar para impedir que seguissem praticando delitos.
Os criminosos usavam aplicativos de mensagens para coordenar ações e monitorar a movimentação policial. Foram apreendidas planilhas de vendas, listas de mensalidades e registros de pagamentos via PIX, evidenciando a sofisticação e profissionalização do esquema.
De acordo com o Gaeco, a facção possuía mecanismos internos de arrecadação financeira, repasse de recursos e até normas de conduta, reforçando sua estrutura organizada e a gravidade dos crimes.