CentroesteNews
23/10/2025
O estado de Mato Grosso aparece como líder no ranking nacional de violência no campo em 2024, segundo o Caderno de Conflitos no Campo Brasil 2024, publicado pela Comissão Pastoral da Terra (CPT). O relatório foi lançado nesta quinta-feira (23) na UFMT, em Cuiabá, durante evento promovido pelo Fórum de Direitos Humanos e da Terra (FDHT) e pela CPT Mato Grosso.
O documento aponta agravamento extremo da violência rural em todo o país, mas destaca Mato Grosso como um dos estados mais críticos, com aumentos expressivos em praticamente todas as categorias de conflitos.
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Conflitos: aumento de 137,25% no número de ocorrências em relação a 2023.
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Pessoas envolvidas: crescimento de 518,27%, afetando principalmente indígenas, assentados, sem-terra, quilombolas e posseiros.
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Regiões mais impactadas: Nordeste (+40%), Norte (+34,5%), Sudeste e Sudoeste (+150%).
Principais agentes de violência
- Fazendeiros: +60%
- Empresários: +180%
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Grileiros: +150%
Principais vítimas
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Indígenas: +200%
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Assentados: +166,6%
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Sem-terra: +83%
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Quilombolas: +50%
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Posseiros: +20%
O relatório também destaca a escalada de violência material e ambiental:
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Incêndios em áreas de conflito: +3.004,6%, com Mato Grosso concentrando 25% dos casos nacionais.
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Destruição de pertences: +661,1%.
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Desmatamento ilegal: +229,4%.
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Ameaças de despejo: +223,7%.
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Invasões: +200,3%.
A violência contra comunidades tradicionais cresceu de forma desproporcional:
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Quilombolas: +1.717,4%
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Posseiros: +854%
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Indígenas: +357,7%
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Assentados: +69%
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Sem-terra: +48,7%
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Conflitos pela água: +87,5% em ocorrências e +723,9% em famílias afetadas.
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Intoxicação por agrotóxicos: 250 famílias contaminadas em conflitos, 6º maior número do país, com aumento geral de +108,3%.
O relatório aponta que 63% dos incêndios do país ocorreram na Amazônia Legal, com Mato Grosso liderando as estatísticas em quase todas as tipificações de violência do Centro-Oeste.
Além da violência física e material, o relatório evidencia avanço da violência institucional, com perseguição a defensores de direitos humanos. Um dos episódios mais graves ocorreu em maio de 2024, em Novo Mundo (MT), quando trabalhadores rurais, um padre da CPT e uma defensora pública foram presos arbitrariamente durante ação policial.
O caso gerou denúncias nacionais e internacionais, revelando o uso do aparelho estatal para intimidar quem atua em defesa da terra e das comunidades vulneráveis.
O Caderno de Conflitos no Campo é produzido pelo Centro de Documentação Dom Tomás Balduíno (CEDOC/CPT), referência nacional desde 1985 na sistematização de dados sobre conflitos rurais. A publicação é reconhecida como fonte essencial para pesquisadores, movimentos sociais e organismos de direitos humanos. Em 2025, a CPT celebra 50 anos de atuação em defesa dos direitos das comunidades camponesas, indígenas, quilombolas e sem-terra.