CentroesteNews
18/09/2025
O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que pretende levar adiante a ideia de classificar o movimento Antifa como uma organização terrorista. O grupo, no entanto, não funciona como uma instituição formal, mas como uma rede descentralizada de coletivos antifascistas que atuam em diferentes países, em especial nos EUA e na Europa.
O que é o Antifa
Criado na Alemanha dos anos 1930 em oposição ao nazismo de Adolf Hitler, o movimento se consolidou como uma frente de resistência contra o fascismo e outros regimes autoritários. No Brasil, teve registros históricos na luta contra o Integralismo e voltou à cena nos anos 1980 e 1990, principalmente dentro de coletivos punks. Mais recentemente, esteve presente nas manifestações de 2013 e em protestos considerados pelos ativistas como reação a governos autoritários.
Sem líderes ou estatuto oficial, o Antifa age como um conjunto de grupos locais que compartilham pautas comuns: combate ao racismo, à homofobia, ao machismo, à xenofobia e a outras formas de opressão. Também são frequentes críticas ao capitalismo e bandeiras ligadas à justiça social e ao ambientalismo.
Estratégias e polêmicas
As ações variam de protestos públicos, boicotes a eventos de grupos extremistas e denúncias contra movimentos de ódio até práticas de confronto direto. Em algumas situações, membros recorrem à depredação de propriedades e choques físicos com adversários, rejeitando a intermediação de governos ou forças policiais — vistas como parte da violência institucional que combatem.
Esse caráter combativo faz com que o movimento seja alvo constante de críticas, tanto de setores conservadores quanto de lideranças políticas de diferentes espectros. Nos EUA, por exemplo, tanto republicanos quanto democratas já se manifestaram contra a violência associada a alguns protestos.
Contexto político
O novo ataque de Trump ao Antifa ocorre em meio a um período de acirramento da violência política nos EUA, o mais intenso desde a década de 1970, segundo a agência Reuters. Mais de 300 episódios de agressões e atentados de motivação política foram registrados desde a invasão ao Capitólio em 6 de janeiro de 2021.
Trump voltou a responsabilizar a “esquerda radical” por episódios recentes, incluindo o assassinato do ativista conservador Charlie Kirk, em setembro. Ele também prometeu abrir investigações para rastrear supostos financiadores do movimento, classificando os antifascistas como “perigosos” e “um desastre para a esquerda radical”.
Obstáculos legais
Especialistas em direito e organizações de direitos civis ressaltam, porém, que seria juridicamente questionável enquadrar o Antifa como uma organização terrorista. Isso porque não há uma estrutura formal que permita enquadramento legal — o movimento é uma rede de ativistas e coletivos independentes, sem registro, filiação ou comando central.