A taxa de desemprego no Brasil caiu para 5,2% no trimestre encerrado em setembro de 2026, alcançando o menor nível para o período desde o início da série histórica, em 2012. O resultado foi divulgado nesta sexta-feira (30) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por meio da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua).
O indicador recuou em relação aos 5,4% registrados no trimestre encerrado em junho e também ficou abaixo dos 5,6% observados no mesmo período de 2025. A pesquisa mostra ainda que o número de brasileiros desocupados chegou a 5,6 milhões, uma redução de 234 mil pessoas na comparação com o trimestre anterior.
O avanço do mercado de trabalho também foi acompanhado por um recorde no número de pessoas ocupadas. Ao todo, 103,6 milhões de brasileiros estavam trabalhando no período, o maior contingente já registrado pela pesquisa do IBGE. O resultado representa crescimento de 0,6% em relação ao trimestre anterior, com a entrada de aproximadamente 581 mil pessoas no mercado de trabalho.
Na comparação anual, o número de ocupados aumentou 1,2%, o equivalente a cerca de 1,2 milhão de trabalhadores. O nível de ocupação, que mede a proporção de pessoas em idade de trabalhar que estão efetivamente ocupadas, também atingiu o recorde de 59%.
Construção civil impulsiona geração de empregos
Entre os setores da economia, a construção civil se destacou na criação de vagas durante o trimestre. A atividade registrou crescimento de 2,8% na ocupação, com aproximadamente 210 mil trabalhadores a mais em relação ao período anterior.
O resultado indica que o setor continua contribuindo para a expansão do mercado de trabalho, mesmo em um cenário de desaceleração econômica e juros elevados.
Outro indicador positivo foi o rendimento médio real habitual dos trabalhadores, que chegou a R$ 3.790. O valor permaneceu estável na comparação trimestral, mas apresentou crescimento de 3,6% em relação ao mesmo período de 2025.
A massa de rendimentos, que corresponde à soma dos salários e demais ganhos recebidos pelos trabalhadores, atingiu R$ 387,5 bilhões, também o maior valor da série histórica.
Mercado de trabalho aquecido gera preocupação com a inflação
Apesar dos resultados positivos para o emprego e a renda, o cenário também exige atenção por parte das autoridades econômicas. A redução do desemprego e o aumento dos rendimentos fortalecem o consumo das famílias, mas podem dificultar o controle da inflação, especialmente no setor de serviços.
Com mais pessoas empregadas e maior capacidade de consumo, a demanda por produtos e serviços tende a permanecer elevada. Caso a oferta não acompanhe esse crescimento, empresas podem enfrentar pressões para reajustar preços.
Esse cenário influencia diretamente as decisões do Banco Central sobre a taxa básica de juros, a Selic. Um mercado de trabalho aquecido pode reduzir o espaço para cortes mais rápidos nos juros, uma vez que a autoridade monetária busca evitar que a inflação permaneça elevada.
Analistas do mercado financeiro avaliam que, embora os indicadores de emprego continuem favoráveis, a economia brasileira pode apresentar uma desaceleração gradual nos próximos meses. O custo elevado do crédito e as limitações para a abertura de novas vagas estão entre os fatores que podem influenciar esse movimento.
Informalidade continua sendo um desafio
Mesmo com a queda do desemprego, a qualidade das ocupações permanece como um dos pontos de atenção do mercado de trabalho brasileiro.
A taxa de informalidade ficou em 37,5% da população ocupada, o equivalente a aproximadamente 38,8 milhões de trabalhadores. O indicador apresentou leve aumento em relação ao trimestre anterior, quando estava em 37,4%, mas recuou na comparação anual, diante dos 37,8% registrados em 2025.
A informalidade engloba trabalhadores sem carteira assinada, profissionais por conta própria sem registro formal e outras formas de ocupação sem proteção trabalhista adequada.
Os números mostram que a melhora do emprego representa um avanço importante para a economia brasileira, mas ainda existem desafios relacionados à estabilidade profissional, à remuneração e ao acesso aos direitos trabalhistas.
A PNAD Contínua é a principal pesquisa do IBGE sobre emprego e renda no país e acompanha a situação da população a partir de 14 anos. Os resultados são utilizados para avaliar o comportamento do mercado de trabalho e orientar análises sobre a atividade econômica.