As principais bolsas de valores da China encerraram outubro com fortes perdas, registrando a maior queda mensal desde o início de 2016. O movimento foi impulsionado por uma onda global de vendas de ações ligadas à inteligência artificial (IA), que aumentou a preocupação dos investidores sobre a capacidade das empresas de transformar os elevados investimentos em tecnologia em resultados financeiros.
Na sexta-feira (30), o índice de Xangai recuou 1,4%, fechando próximo da mínima de um ano. O CSI300, que reúne as maiores companhias listadas nas bolsas de Xangai e Shenzhen, também caiu 1,4%. Em sentido contrário, o Hang Seng, principal indicador da bolsa de Hong Kong, avançou 1,5%.
A pressão sobre o mercado chinês ocorre em meio à crescente cautela em relação ao setor de inteligência artificial. Empresas de tecnologia têm destinado bilhões de dólares à construção de centros de dados, desenvolvimento de modelos e expansão de infraestrutura computacional. Embora esses investimentos sejam considerados estratégicos, parte dos investidores passou a questionar se os retornos esperados serão suficientes para compensar os custos.
A preocupação ganhou força após a queda de ações de grandes companhias norte-americanas. Alphabet, controladora do Google, Amazon e Intel estiveram entre as empresas pressionadas pelo mercado diante das preocupações com o elevado consumo de caixa associado aos investimentos em IA.
O movimento também atingiu empresas asiáticas. A sul-coreana SK Hynix, uma das principais fabricantes mundiais de chips de memória, registrou queda superior a 7% na sessão.
Setor de tecnologia concentra perdas
As empresas ligadas à inteligência artificial estiveram entre as mais afetadas pelas vendas no mercado chinês. O índice STAR50, que reúne companhias de tecnologia listadas em Xangai, caiu 5,5% na sexta-feira. Já o indicador CSI 5G Communications, que acompanha empresas do setor de comunicações, recuou 6,2%.
A fabricante chinesa de módulos ópticos Eoptolink Tech também sofreu forte desvalorização. As ações da companhia caíram 14% no pregão e acumularam perdas de aproximadamente 50% ao longo de outubro.
O desempenho negativo refletiu a preocupação dos investidores com a exposição das empresas de tecnologia aos investimentos em inteligência artificial, especialmente em infraestrutura e equipamentos.
O CSI300 terminou o mês com queda de 8,5%, a maior perda mensal em mais de uma década. Nas últimas 12 semanas, o índice acumulou desvalorização de aproximadamente 15%, em uma sequência prolongada de recuos que reforçou o clima de cautela entre os investidores.
Em meio à turbulência, alguns setores conseguiram escapar das perdas. As ações de empresas de bens de consumo básico avançaram 2%, indicando uma migração de parte dos investidores para segmentos considerados menos expostos às oscilações do mercado de tecnologia.
Em Hong Kong, o cenário foi diferente. O índice Hang Seng encerrou o pregão em alta de 1,5%, enquanto o setor financeiro e as incorporadoras imobiliárias chinesas contribuíram para o desempenho positivo da bolsa.
A queda das bolsas chinesas evidencia como as incertezas sobre a rentabilidade dos investimentos em inteligência artificial podem afetar mercados de diferentes regiões. Apesar do potencial de transformação econômica associado à tecnologia, os investidores estão cada vez mais atentos aos custos, ao fluxo de caixa e à capacidade de geração de lucros das empresas.