O Tribunal do Júri de Sorriso, a 420 quilômetros de Cuiabá, condenou Ivaldo Luiz Polesello a 30 anos e 10 meses de reclusão pelo assassinato da esposa, Ivaldete Coutinho de Oliveira Polesello, de 58 anos. A decisão foi tomada nesta quinta-feira (29), após os jurados reconhecerem que o crime foi cometido em contexto de violência doméstica e familiar contra a mulher.
O Conselho de Sentença acolheu a tese apresentada pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), cuja atuação em plenário foi conduzida pelo promotor de Justiça Luiz Fernando Rossi Pipino. O julgamento considerou as circunstâncias do crime e as provas que apontaram um histórico de violência no relacionamento.
O feminicídio ocorreu em 8 de maio de 2025, na residência do casal, no bairro Benjamin Raiser, em Sorriso. Ivaldete foi atacada dentro de casa e encontrada gravemente ferida pelo neto, de 14 anos, que acionou o socorro. A mulher foi encaminhada ao Hospital Regional, mas morreu em decorrência das lesões.
Durante o julgamento, o Ministério Público apresentou provas que indicaram que a vítima enfrentava ameaças e intimidações havia décadas. Segundo os autos, o relacionamento, que durou aproximadamente 35 anos, era marcado por episódios de violência que dificultavam a decisão de Ivaldete de se afastar do marido.
Entre os documentos apresentados aos jurados estava um boletim de ocorrência registrado em junho de 2013. Na ocasião, a mulher relatou que estava deixando a residência para evitar consequências mais graves e mencionou as ameaças sofridas como um dos fatores que haviam dificultado a separação.
O depoimento de uma das filhas do casal também reforçou a existência de intimidações recorrentes. As provas indicaram que, em fevereiro de 2025, Ivaldete chegou a sair de casa e permaneceu por aproximadamente 15 dias na residência da filha. Posteriormente, retornou após insistência do marido.
Poucos meses depois, ela foi assassinada.
Conduta após o crime
As investigações também reuniram elementos sobre o comportamento do réu após a morte da esposa. Conforme os autos, Ivaldo deixou a residência de carro e seguiu até a casa de um funcionário, onde pediu que o veículo fosse guardado. No local, teria admitido que matou a mulher.
A autoria do crime também foi confirmada em uma conversa com uma das filhas do casal. Após ser localizado pela Polícia Militar, Ivaldo foi preso em flagrante.
Durante o julgamento, um policial militar que participou da ocorrência relatou uma declaração atribuída ao acusado quando ele foi informado sobre a morte da esposa. Segundo o depoimento, ele teria respondido: “Graças a Deus”.
Homenagem à pioneira de Sorriso
Além da repercussão judicial, a morte de Ivaldete provocou manifestações de pesar em Sorriso. Reconhecida como uma das pioneiras do município, ela teve sua contribuição para o desenvolvimento da cidade destacada pela Prefeitura.
Após o feminicídio, a administração municipal decretou três dias de luto oficial e manifestou solidariedade aos familiares e amigos da vítima.
A condenação de Ivaldo Luiz Polesello encerra a etapa do julgamento pelo Tribunal do Júri, que reconheceu a responsabilidade do réu pelo feminicídio. A pena estabelecida foi de 30 anos e 10 meses de reclusão.
O caso também evidencia a importância de reconhecer situações de violência doméstica antes que elas evoluam para desfechos fatais. Ameaças, intimidações e tentativas de controlar a vida da companheira são sinais de violência que precisam ser levados a sério.