Um procedimento utilizado em casos específicos de colesterol alto pode ter um efeito adicional: a redução de algumas substâncias poluentes presentes no sangue. É o que sugere um estudo publicado em 4 de agosto na revista científica Brain Health.
A técnica, conhecida como aférese terapêutica, é utilizada principalmente quando os medicamentos não conseguem controlar adequadamente níveis muito elevados de colesterol. Durante o procedimento, o sangue é retirado do organismo, o plasma é separado e passa por um processo de filtragem antes de ser devolvido ao paciente.
Os pesquisadores observaram que os filtros utilizados no tratamento também retiveram compostos químicos persistentes conhecidos como PFAS, além de apresentarem indícios compatíveis com a retenção de microplásticos.
A equipe acredita que parte dessas substâncias possa ser removida junto com partículas presentes no sangue, como as lipoproteínas, ou por meio da ligação dos poluentes a proteínas do plasma.
Os PFAS, sigla para substâncias perfluoroalquiladas e polifluoroalquiladas, são compostos sintéticos conhecidos como “produtos químicos eternos” devido à sua elevada persistência no ambiente e no organismo.
Essas substâncias são utilizadas em diferentes produtos, incluindo materiais impermeáveis, embalagens e revestimentos antiaderentes. A exposição a determinados PFAS já foi associada, em estudos anteriores, a alterações no sistema imunológico e hormonal e a outros efeitos adversos à saúde.
Apesar dos resultados, os pesquisadores não afirmam que a aférese deva ser utilizada como tratamento para eliminar poluentes do organismo. O estudo aponta uma possível consequência adicional de um procedimento que já é empregado por razões médicas específicas.
Novas pesquisas serão necessárias para determinar quanto dessas substâncias pode ser efetivamente removido durante a aférese e quais seriam os possíveis impactos desse efeito para a saúde.