Os oceanos do planeta registraram em julho a maior temperatura média já observada para o mês, segundo dados do Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus. A temperatura da superfície dos oceanos fora das regiões polares também superou o recorde registrado em 2023.
O aquecimento dos oceanos vai além do aumento da temperatura da água. Oceanos mais quentes modificam as trocas de calor e umidade com a atmosfera e podem favorecer condições associadas a eventos extremos, como chuvas intensas, ondas de calor, períodos de seca e incêndios.
O cenário ocorre durante a intensificação do El Niño, fenômeno caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Pacífico Equatorial. A alteração da temperatura do oceano influencia os padrões de circulação atmosférica e pode modificar o regime de chuvas em diferentes partes do mundo.
No Brasil, o El Niño está associado a uma maior probabilidade de chuvas acima da média na Região Sul. O Rio Grande do Sul tem registrado episódios de precipitação intensa, enquanto outras áreas do planeta enfrentam condições opostas.
Na Europa Ocidental, por exemplo, o início do verão foi marcado por calor persistente e períodos de seca, além de incêndios. A temperatura média registrada nos dois primeiros meses do verão chegou a 21,62°C, aproximadamente 2,79°C acima da média.
Especialistas destacam que eventos extremos não possuem necessariamente uma única causa. Eles ocorrem dentro de um sistema climático que já apresenta temperaturas mais elevadas devido ao aumento da concentração de gases de efeito estufa na atmosfera.
O atual El Niño acrescenta uma influência natural a esse cenário. Fenômenos como o El Niño fazem parte da variabilidade natural do clima, mas seus efeitos acontecem atualmente sobre oceanos e uma atmosfera que já estão mais quentes.
A combinação desses fatores aumenta a atenção dos cientistas para a possibilidade de novos eventos extremos nos próximos meses.