O deputado federal Fábio Garcia (União) anunciou nesta terça-feira (11) que não será mais candidato a vice-governador na chapa governista de Mato Grosso. A decisão ocorre poucos dias depois de ele ter sido alvo de uma operação da Polícia Federal que também envolveu o ex-governador Mauro Mendes (União).
Garcia havia sido escolhido para ocupar a vaga de vice na chapa encabeçada pelo atual governador, Otaviano Pivetta (Republicanos). A composição representaria uma reorganização do grupo político que comandava o estado no início do ano, quando Mendes era governador, Pivetta ocupava a vice-governadoria e Garcia atuava como secretário-chefe da Casa Civil.
Mauro Mendes deixou o governo para disputar uma vaga ao Senado e, segundo Garcia, não deve retirar sua candidatura.
Ao explicar a decisão, o deputado citou as medidas determinadas pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que restringem a comunicação e o contato entre ele e Mauro Mendes. Segundo Garcia, as restrições dificultariam a condução conjunta da campanha.
“Essa decisão do ministro Flávio Dino impõe uma restrição: eu e o ex-governador Mauro Mendes não podemos nos comunicar, não podemos estar no mesmo local, isso impõe dificuldade de tocar a campanha”, afirmou.
Garcia também disse que recebeu um pedido dos presidentes dos partidos que integram a coligação para reconsiderar sua candidatura a vice. Após avaliar a situação, decidiu disputar novamente uma vaga na Câmara dos Deputados.
“Entendendo que precisamos tocar para frente o projeto, decidi ser candidato a deputado federal”, declarou.
Com a saída de Garcia, Pivetta deverá definir e anunciar um novo nome para ocupar a vaga de vice-governador.
A escolha de Garcia para a composição da chapa já havia provocado divergências dentro da Federação União Progressistas. O grupo realizou uma votação interna em Mato Grosso para decidir entre apoiar a candidatura de Pivetta ou lançar o senador Jayme Campos à disputa pelo Senado.
A opção de integrar a chapa de Pivetta venceu por 30 votos a 19, e Garcia foi indicado como candidato a vice. Após o resultado, Jayme Campos afirmou ter se sentido traído e declarou apoio às candidaturas da deputada federal Janaina Riva (MDB) ao Senado e do senador Wellington Fagundes (PL) ao governo de Mato Grosso.
A desistência de Garcia abre agora uma nova etapa nas articulações da base governista para a formação da chapa que disputará as eleições estaduais de 2026.