Um estudo publicado em 10 de agosto na revista científica iScience encontrou evidências de que o cérebro dos cães reage de maneiras diferentes a determinadas expressões emocionais humanas.
A pesquisa ajuda a explicar por que os animais parecem prestar atenção às mudanças nas expressões e no comportamento das pessoas, mas os resultados não significam que os cães compreendam as emoções exatamente da mesma maneira que os humanos.
Os pesquisadores realizaram dois experimentos com cães domésticos treinados para permanecer acordados e imóveis dentro de um aparelho de exame, sem contenção, enquanto observavam fotografias de pessoas desconhecidas.
Na primeira etapa, oito cães foram apresentados a imagens de rostos com expressões felizes ou neutras. As fotografias de pessoas felizes provocaram maior atividade em uma região do hemisfério direito do cérebro, envolvendo áreas do córtex temporal e se estendendo até o núcleo caudado.
O córtex temporal está relacionado ao processamento de informações visuais e sociais, enquanto o núcleo caudado já foi associado ao processamento de recompensas em cães. Para os pesquisadores, o resultado indica que expressões felizes podem ter uma representação cerebral especialmente marcante para os animais.
Na segunda etapa, 12 cães observaram rostos demonstrando felicidade, raiva, medo e tristeza. Com o auxílio de técnicas de aprendizado de máquina, os cientistas analisaram os padrões de atividade cerebral provocados por cada expressão.
A atividade associada à felicidade pôde ser diferenciada das três emoções negativas analisadas. Quando a avaliação considerou o cérebro como um todo, os pesquisadores também conseguiram identificar diferenças entre os padrões relacionados ao medo e à raiva e entre medo e tristeza.
Por outro lado, não foi possível diferenciar de forma semelhante os padrões cerebrais provocados por raiva e tristeza.
Os resultados sugerem que os cães processam determinadas expressões emocionais humanas de maneira distinta no cérebro. No entanto, os pesquisadores ressaltam que isso não significa necessariamente que os animais compreendam ou interpretem cada emoção da mesma forma que uma pessoa.