O que poderia ser apenas um reencontro emocionante virou prova decisiva em uma investigação no Litoral Norte do Rio Grande do Sul. A reação de Endy, uma cadelinha da raça Shih Tzu, ao rever seu tutor após dois meses desaparecida, foi determinante para que a Polícia Civil confirmasse quem era o verdadeiro responsável pelo animal.
O caso aconteceu em Balneário Pinhal e foi conduzido pela delegada Luana Medeiros. Segundo ela, o reconhecimento da cadela foi fundamental para encerrar a disputa.
“A gente sabe que cachorrinhos reconhecem os tutores mesmo que fiquem um tempo separados. Tínhamos certeza de que, se fosse realmente o dono dela, ela reconheceria”, explicou.
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O “teste” que solucionou o impasse
Diante da disputa entre duas pessoas que alegavam ser donas do animal, a equipe da Polícia Civil do Rio Grande do Sul organizou uma dinâmica diferente do procedimento tradicional.
Endy foi colocada em um pátio da delegacia, enquanto, em uma sala separada, estavam o tutor e outras pessoas desconhecidas para ela. O homem levou a caixa de transporte que a cadela utilizava desde filhote.
Quando a porta foi aberta, Endy correu diretamente para a caixa, demonstrando familiaridade. Em seguida, ao avistar o tutor, foi imediatamente em direção a ele e fez festa. A cena foi registrada em vídeo pelos policiais.
“Ela ainda usou a patinha para abrir a porta da caixinha. Foi ali que tivemos certeza”, relatou a delegada.
Base legal e desdobramentos
Pelo Código Civil brasileiro, animais são considerados bens móveis. Em situações comuns, o reconhecimento visual pelo proprietário costuma ser suficiente para devolução. No entanto, como ambas as partes insistiam na posse do animal, foi necessário um critério adicional.
Após o teste, a mulher que estava com a cadela confessou que Endy não era sua. Ela deverá responder por estelionato e também por maus-tratos.
Durante o cumprimento de mandado, os policiais encontraram outro Shih Tzu na mesma residência. O animal apresentava sarna e desenvolveu dermatite atópica. Ele recebeu atendimento inicial e não será devolvido à mulher, havendo indícios de maus-tratos. Agora, o cão busca um novo lar.
O caso
Segundo a investigação, o tutor soube por meio de uma rede social que uma mulher de 34 anos teria se apresentado como dona da cadela após ela ser encontrada e a levado para casa. Ao confrontá-la, ela se recusou a devolver o animal. O homem então registrou boletim de ocorrência, dando início às diligências que culminaram no reencontro.
Entre emoção e investigação, o caso mostrou que, além de documentos e depoimentos, o vínculo afetivo também pode falar alto — e, desta vez, foi decisivo