O governo dos Estados Unidos, sob a gestão de Donald Trump, prepara uma movimentação que acendeu alertas na diplomacia brasileira. Segundo informações publicadas pelo Washington Post, dois altos funcionários nomeados politicamente por Trump devem desembarcar em Brasília nos próximos dias com um objetivo claro: questionar a credibilidade do sistema eleitoral brasileiro.
Os nomes são Riley M. Barnes, secretário-adjunto, e Samuel Samson, subsecretário-adjunto, e ainda não se sabe com quais autoridades ou grupos eles pretendem se reunir.
Diplomatas brasileiros, ao tomarem conhecimento do plano, classificaram a iniciativa como uma verdadeira manobra política e articulam nos bastidores formas de impedir a entrada dos representantes americanos no país.
A avaliação interna é de que a visita não passa de uma tentativa de deslegitimar o processo eleitoral brasileiro, alimentando desinformação já conhecida e desmentida em ciclos anteriores.
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Um funcionário ouvido pelo jornal americano foi direto: é uma manobra completamente incompatível com a democracia brasileira, e o governo tomará medidas para proteger nosso sistema de votação.
O Departamento de Estado dos EUA confirmou o planejamento da viagem, mas não detalhou o propósito oficial da visita. O temor das autoridades brasileiras é que os emissários de Trump se encontrem com céticos do sistema eleitoral do país e produzam um relatório com conclusões tendenciosas, usado para alimentar narrativas de fraude que já foram amplamente rechaçadas pela Justiça Eleitoral e por sucessivas missões de observação internacional.
A movimentação ocorre em meio a uma escalada na longa disputa entre Estados Unidos e Brasil envolvendo liberdade de expressão e o processo criminal contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado por tentativa de golpe de Estado e atualmente em prisão domiciliar. Um dos nomeados por Trump, Darren Beattie, já havia tentado visitar Bolsonaro após a condenação, mas teve o visto revogado pelo Itamaraty.
Paralelamente, o Tribunal Superior Eleitoral avalia com menos preocupação as declarações do senador Flávio Bolsonaro, que repetiu em evento com diplomatas estrangeiros a velha narrativa de que uma empresa venezuelana teria participado da operação das urnas eletrônicas brasileiras.
Nos bastidores, a avaliação é de que a fala não representou um ataque grave — ainda que tenha propagado uma mentira já desmentida pelo TSE desde 2018. A Justiça Eleitoral já esclareceu em diversas ocasiões que a Smartmatic nunca fabricou urnas nem teve acesso a softwares de votação no Brasil, tendo prestado apenas serviços pontuais de conectividade em localidades de difícil acesso.
A campanha de Flávio, por sua vez, nega que ele tenha questionado a integridade do sistema eleitoral e afirma que o senador apenas relatou fatos públicos, incluindo um relatório da CIA sobre supostas fraudes na Venezuela, e exortou diplomatas estrangeiros a enviarem observadores para as eleições brasileiras.