O ex-deputado Eduardo Bolsonaro voltou a levantar suspeitas sobre a integridade das urnas eletrônicas brasileiras nesta quinta-feira, durante uma transmissão ao vivo com o consultor político argentino Fernando Cerimedo — o mesmo que foi indiciado pela Polícia Federal no inquérito da trama golpista por atuar de forma coordenada com militares para desacreditar o processo eleitoral de 2022.
A live acontece dois dias depois de seu irmão, o presidenciável Flávio Bolsonaro, ter pedido a uma plateia de diplomatas estrangeiros que enviassem o maior número possível de observadores para as eleições de outubro, citando informações falsas sobre as urnas.
Durante a transmissão, Eduardo exibiu slides e afirmou que “é impossível auditar as urnas eletrônicas brasileiras”, ignorando o parecer entregue pelo Exército em 2022, que não apontou qualquer indício de fraude e atestou que nenhum dos boletins de urna analisados apresentou inconsistências.
O ex-deputado chegou a atribuir ao ministro Alexandre de Moraes a responsabilidade pelo 8 de janeiro de 2023, ao dizer que Moraes usou o relatório do Exército para validar a eleição. “É por isso que gerou revolta e, em última análise, gerou o 8 de janeiro”, afirmou.
O argentino Fernando Cerimedo, que atuou como estrategista digital da campanha de Javier Milei, ficou conhecido no Brasil por uma transmissão ao vivo com informações falsas sobre as urnas dias após o segundo turno de 2022. O material foi suspenso pelo Tribunal Superior Eleitoral e desmentido pela Justiça Eleitoral.
Cerimedo foi indiciado pela PF em 2024, mas acabou de fora da denúncia da Procuradoria-Geral da República. Na live, ele e Eduardo também debateram as acusações de Donald Trump contra o sistema eleitoral americano — uma sintonia que reforça a narrativa de desconfiança institucional que ambos alimentam em seus países.
As declarações ocorrem em um momento delicado para Eduardo, que no mês passado foi condenado pelo STF a quatro anos e dois meses de prisão por coagir magistrados e articular sanções contra o Judiciário brasileiro, além de ter sido beneficiado com um Green Card pelo governo Trump.
De quebra, seu irmão Flávio enfrenta uma investigação sobre repasses milionários para a produção de uma cinebiografia do pai. A live, portanto, não é apenas mais um capítulo na cruzada contra as urnas — é também um lembrete de que, do outro lado da tela, a Justiça brasileira segue de olho.