O Partido Liberal oficializou neste sábado (25), em São Paulo, a candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República, em um evento que reuniu familiares, aliados e lideranças da direita brasileira e internacional.
Sem anunciar o nome do vice, a convenção marcou a primeira candidatura presidencial de Flávio e consolidou sua posição como herdeiro político de Jair Bolsonaro, que acompanhou o ato por meio de um vídeo gerado por inteligência artificial simulando um pronunciamento.
Em cerca de 15 minutos de discurso, Flávio prometeu honrar o legado do pai, classificou o ex-presidente como “o maior líder da direita que esse país já teve” e afirmou que ele sofreu três tentativas de ser eliminado: a facada em 2018, a prisão e o isolamento imposto pela Justiça.
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O senador disse que o Brasil foi “sequestrado” e prometeu “libertar o país desse cativeiro”, além de defender penas mais duras para criminosos, a redução da maioridade penal, a castração química para condenados por estupro de crianças e o fortalecimento de uma maioria de centro-direita no Congresso. Também voltou a atacar o STF, especialmente o ministro Alexandre de Moraes, e afirmou que, se Lula for reeleito, poderá indicar mais quatro ministros para a Corte.
A convenção contou com a participação remota da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que quebrou o silêncio e selou a reconciliação com o enteado em sua primeira manifestação pública de apoio desde o rompimento entre os dois. Sem mencionar o desentendimento, Michelle discursou sobre a importância da participação feminina na política, disse que a ausência de Jair Bolsonaro “fala muito mais alto” e citou Flávio apenas uma vez durante a fala.
A esposa do candidato, Fernanda Bolsonaro, também discursou e ganhou espaço na campanha como estratégia para reforçar a imagem familiar do senador, especialmente após rumores sobre um suposto vídeo de conteúdo sexual que circulou nos bastidores.
Convidado de honra, o presidente da Argentina, Javier Milei, fez um discurso de tom liberal, com ataques ao socialismo e afirmações de que a experiência argentina serve de alerta para outros países. Declarou apoio direto a Flávio, a quem chamou de “filho de um amigo” e classificou como “a pessoa que hoje pode parar Lula”. Milei também criticou a prisão domiciliar de Jair Bolsonaro, classificando-a como uma injustiça de “caráter vingativo”.
A convenção não definiu o nome do vice. Flávio tem dito que gostaria de uma mulher na chapa, mas a definição depende das negociações com partidos como PP, União Brasil e Republicanos. A data limite para o anúncio é 15 de agosto.
O senador chega à disputa como segundo colocado nas pesquisas, atrás de Lula, e com um discurso que oscila entre a moderação dos primeiros meses de pré-campanha e o tom mais duro adotado nas últimas semanas, especialmente após ser proibido de visitar o pai pelo ministro Alexandre de Moraes.