Uma equipe formada por 16 pesquisadores brasileiros iniciou uma expedição científica na Serra do Aracá, no extremo norte da Amazônia, próxima à fronteira com a Venezuela. Durante três semanas, os cientistas vão investigar áreas montanhosas entre 1.300 e 1.700 metros de altitude, algumas ainda pouco exploradas pela ciência.
A Serra do Aracá faz parte dos chamados tepuis, formações montanhosas com grandes platôs elevados que ficam isolados em meio às terras baixas da Amazônia. Esse isolamento ao longo de milhões de anos favoreceu processos evolutivos independentes e o surgimento de espécies endêmicas.
A expectativa dos pesquisadores é encontrar organismos que ainda não foram registrados pela ciência. Em expedições anteriores realizadas no Pico da Neblina e na Serra do Imeri, integrantes do grupo identificaram duas novas famílias de sapos, além de espécies inéditas de lagartos e anfíbios, um novo gênero de caranguejo de água doce e uma nova espécie de ave.
Agora, a Serra do Aracá pode revelar novas espécies e ajudar a compreender a evolução da biodiversidade amazônica. A área está localizada no limite entre duas importantes províncias biogeográficas dos tepuis sul-americanos, aumentando o interesse científico pela região.
A equipe reúne especialistas em plantas, aves, mamíferos, répteis, anfíbios, invertebrados, parasitas e pólen. Além das técnicas tradicionais de coleta, os pesquisadores utilizarão tecnologias como o DNA ambiental (eDNA), capaz de identificar material genético deixado por animais na água e no solo.
Gravadores autônomos também serão utilizados para registrar espécies difíceis de observar. Amostras biológicas permitirão ainda investigar microrganismos, parasitas, vírus e bactérias presentes nos ambientes isolados.
A expedição representa a etapa final de um projeto voltado ao mapeamento da biodiversidade das terras altas da Amazônia brasileira. A iniciativa conta com financiamento da FAPESP e apoio do Exército Brasileiro.