CentroesteNews
02/07/2025
A ONU Mulheres, agência das Nações Unidas dedicada à equidade de gênero, completa 15 anos em 2025 com um balanço que mistura conquistas e preocupações. Em meio a retrocessos nos direitos femininos em várias partes do mundo, a organização destaca a necessidade de uma repactuação global para garantir que meninas e mulheres possam viver com igualdade, dignidade e segurança.
“Direitos das mulheres são como ondas do mar: há retrocesso, mas os avanços são persistentes”, afirmou Ana Querino, representante interina da ONU Mulheres no Brasil.
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Atualmente, há cerca de 4 bilhões de mulheres e meninas no mundo, mas sua representação política e econômica ainda é desproporcional. Elas também enfrentam formas específicas de pobreza, violência e exclusão — desafios que se intensificam em contextos de crise, como guerras e emergências climáticas.
Direitos sob risco
Um estudo da entidade, publicado em março, revela que os direitos humanos das mulheres estão em risco em um a cada quatro países. Além disso, crescem os índices de exclusão digital feminina e os casos de violência, especialmente em zonas de conflito, onde vivem 600 milhões de mulheres e meninas — um aumento de 50% em relação a dez anos atrás.
A ONU Mulheres chama atenção para o impacto devastador desses cenários: 60% das mortes maternas ocorrem em 35 países afetados por conflitos armados, e os estupros continuam sendo usados como arma de guerra.
Participação política e econômica
Um dos maiores gargalos apontados é a sub-representação feminina em espaços de poder. Embora a Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres (Cedaw) recomende paridade de gênero (50%) em cargos de decisão, as mulheres brasileiras representam apenas 17% do Congresso Nacional.
Na economia, o cenário também é desigual: elas ainda ganham 20% a menos que os homens, segundo dados da entidade. E apesar de realizarem grande parte do trabalho de cuidado — muitas vezes não remunerado — continuam excluídas das decisões sobre políticas públicas nessa área.
Exclusão digital e tecnologia misógina
Outro alerta é o da exclusão digital. Muitas mulheres não têm acesso ou capacitação para uso de tecnologias, o que limita sua participação no mundo digital. Além disso, a ausência de mulheres na criação tecnológica pode perpetuar preconceitos e misoginia em plataformas, algoritmos e produtos digitais.
“Se não temos mulheres por trás do avanço tecnológico, a tecnologia reproduz discriminação”, destacou Ana Querino.
15 ações para o futuro
Para marcar os 15 anos, a ONU Mulheres lançou uma lista com 15 ações prioritárias para fortalecer os direitos das mulheres e evitar retrocessos. Entre elas, destacam-se:
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Erradicar a pobreza feminina: 1 em cada 10 mulheres vive com menos de US$ 2,15 por dia;
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Combater a fome: mais mulheres do que homens enfrentam insegurança alimentar;
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Eliminar a violência de gênero: uma mulher ou menina é assassinada a cada 10 minutos por um parceiro ou familiar;
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Garantir acesso à justiça e apoio a sobreviventes;
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Incluir mulheres em discussões climáticas e na formulação de políticas ambientais;
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Promover igualdade salarial e empregos dignos no setor de cuidados;
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Ampliar participação nos espaços de decisão, nas empresas e governos;
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Fortalecer leis e mecanismos de proteção já existentes.
Compromisso dos líderes é essencial
A ONU Mulheres cobra que chefes de Estado, parlamentos, empresas e sociedade civil assumam o compromisso com os acordos internacionais, como a Plataforma de Ação de Pequim, os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e a Resolução 1.325 do Conselho de Segurança da ONU, que reconhece o impacto das guerras sobre meninas e mulheres.
“Precisamos de mais vozes que reforcem o progresso. Infelizmente, temos ouvido com frequência posições de destaque que se opõem aos direitos das mulheres. É hora de mudar isso”, reforçou a representante no Brasil.