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CentroesteNews

19/12/2025

Um apagão inesperado mergulhou Espanha e Portugal no escuro, provocando caos no trânsito, paralisação de serviços e cenas de solidariedade entre moradores e turistas, enquanto autoridades ainda tentam esclarecer as causas do colapso energético.

A segunda-feira foi tudo, menos comum, para milhões de pessoas na Espanha e em Portugal. Em questão de segundos, a eletricidade simplesmente desapareceu, transformando cidades modernas em cenários de improviso, silêncio e incerteza. Semáforos apagaram, máquinas de cartão pararam de funcionar, aeroportos e estações de trem entraram em colapso e o cotidiano foi interrompido de forma abrupta.

No leste de Madri, o diretor de operações Luis Ibañez Jimenez dirigia pela rodovia quando percebeu que algo estava errado. De repente, não havia mais sinais de trânsito funcionando. Carros se acumulavam, ninguém sabia quem deveria passar primeiro e o medo de acidentes era constante. Para ele, a sensação foi de estar em uma “selva urbana”, onde a cautela e a cooperação entre motoristas se tornaram essenciais. O trajeto que normalmente levaria meia hora acabou se estendendo por duas horas, com a cidade completamente travada ainda no meio da tarde.

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O apagão não se limitou às ruas. Computadores desligaram, terminais de pagamento ficaram inutilizáveis e prédios residenciais passaram a enfrentar um problema inesperado: o acesso. Portas eletrônicas e elevadores deixaram de funcionar, obrigando moradores a buscar ajuda de vizinhos ou do Corpo de Bombeiros. Somente em Madri, equipes de emergência realizaram centenas de resgates de pessoas presas em elevadores, enquanto agentes da Guarda Civil ajudavam idosos e pessoas com mobilidade reduzida a subir escadas no escuro.

Em Portugal, a cena era semelhante. A editora de cinema Alanna Gladstone, que havia acabado de chegar a Lisboa vinda de Nova York, acordou de uma soneca sem entender por que tudo ao seu redor havia parado. Com poucos euros no bolso, saiu em busca de suprimentos e encontrou supermercados fechados e filas se formando em mercados menores, onde só era possível pagar em dinheiro. No aeroporto Humberto Delgado, turistas enfrentaram longas filas no escuro, sem ar-condicionado, água corrente ou informações claras.

Durante horas, a falta de energia alimentou o medo e a desinformação. Rumores de ataques terroristas e até de um suposto apagão em toda a Europa circularam rapidamente, impulsionados pelo acesso instável à internet e aos telefones. Diante disso, o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, pediu que a população usasse os celulares apenas quando necessário, para não sobrecarregar ainda mais o sistema de comunicação.

Dados preliminares indicam que, em apenas cinco segundos, cerca de 15 gigawatts de energia foram retirados do sistema espanhol, o equivalente a aproximadamente 60% do consumo naquele momento. O impacto foi suficiente para provocar o colapso total da rede elétrica do país, afetando também Portugal. Mesmo com o fornecimento praticamente restabelecido na manhã seguinte, as autoridades admitem que as causas ainda não foram identificadas e que todas as hipóteses seguem em investigação.

Com o cair da noite, sem luz e sem respostas, a população encontrou outras formas de lidar com a situação. Velas iluminaram apartamentos, bares lotaram até que as baterias das máquinas de cartão se esgotassem e desconhecidos passaram a conversar, compartilhar comida e histórias. Em Lisboa, vizinhos que mal se conheciam prepararam refeições à luz de lanternas e dividiram vinho, transformando a crise em um momento inesperado de convivência.

No fim, além do caos e do susto, o apagão deixou uma lembrança marcante para quem viveu aquelas horas de incerteza. Entre transtornos e improvisos, ficou evidente a fragilidade da rotina moderna diante de um colapso repentino e, ao mesmo tempo, a capacidade das pessoas de se ajudarem quando tudo o que parece garantido simplesmente desaparece.

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Jornalista: José Claudenir de Almeida – DRT nº 0001650

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