A Polícia Federal investiga se o senador Weverton Rocha (PDT-MA), vice-líder do governo Lula, teria atuado para impedir o avanço de uma sindicância envolvendo o grupo político ligado ao governador do Maranhão, Carlos Brandão (MDB).
A investigação teve origem em dados extraídos do celular do parlamentar, apreendido durante uma das fases da Operação Sem Desconto, que apura suspeitas de fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Segundo a PF, o aparelho continha registros de ligações, mensagens e áudios trocados entre Weverton e o ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Humberto Martins. As comunicações ocorreram entre janeiro de 2023 e outubro de 2025.
O ministro Humberto Martins não é investigado no caso. De acordo com os investigadores, porém, os contatos indicariam uma relação de proximidade entre o senador e o magistrado.
A PF suspeita que Weverton tenha buscado interferir no andamento de uma sindicância que tramitava no STJ e envolvia supostas irregularidades atribuídas a integrantes da chamada “família Brandão”, grupo político e empresarial do Maranhão.
As informações constam em uma decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a abertura de um inquérito sobre o caso em 14 de julho. O sigilo da apuração foi levantado nesta sexta-feira (14).
A sindicância investiga possíveis crimes como corrupção, peculato e desvio de recursos públicos. Segundo a PF, o senador teria procurado o ministro do STJ com o objetivo de “obstar o regular prosseguimento da apuração”, especialmente após o assassinato do empresário João Bosco, ocorrido em 2022.
Um dos episódios analisados pelos investigadores envolve uma ligação entre Weverton e Humberto Martins em 2 de julho do ano passado. Na mesma data, por determinação do ministro, Gilbson Júnior, apontado como responsável pela morte de Bosco, foi transferido do Maranhão para a Penitenciária Federal de Brasília.
A investigação segue em andamento para esclarecer se houve efetivamente tentativa de interferência na apuração.