Uma partícula subatômica estudada pela física há décadas acaba de receber a evidência experimental mais forte até agora de que pode ter, em sua composição, uma estrutura formada principalmente por glúons. O resultado envolve a X(2370), uma partícula exótica observada por pesquisadores da colaboração internacional BESIII, em um acelerador de partículas na China.
As novas evidências foram apresentadas em 6 de agosto, durante a Conferência Internacional de Física de Altas Energias (ICHEP 2026), realizada no Brasil. O estudo também foi disponibilizado no repositório científico arXiv, mas ainda é um preprint e, portanto, não havia passado por revisão por pares no momento da divulgação.
Glúons são partículas responsáveis por transmitir a interação forte, uma das quatro forças fundamentais da natureza. Essa força mantém os quarks unidos dentro de partículas como prótons e nêutrons.
Uma característica importante dos glúons é que eles também podem interagir entre si. A partir dessa propriedade, a cromodinâmica quântica (QCD), teoria que descreve as interações entre quarks e glúons, prevê a possibilidade de formação das chamadas glueballs, estruturas compostas por glúons.
A existência dessas partículas é prevista teoricamente há décadas, mas sua identificação experimental definitiva continua sendo um dos desafios da física de partículas.
Os pesquisadores da BESIII concluíram que a X(2370) apresenta características compatíveis com uma glueball e que essa estrutura seria seu componente dominante. O resultado pode representar um avanço importante na busca por evidências experimentais dessas partículas previstas pela teoria.
Apesar da relevância da descoberta, os resultados ainda precisam passar pelo processo de revisão por pares e ser confrontados com novas análises independentes antes que a natureza da X(2370) seja considerada definitivamente estabelecida.