CentroesteNews
06/01/2026
Na madrugada do último dia 31 de dezembro, o médico dermatologista Anderson Juliano de Lima viveu momentos de desespero após ter seu apartamento invadido e ser brutalmente espancado por um vizinho. O agressor, identificado como Túlio André Coelho Silva, de 30 anos, teria alegado, em meio aos ataques, que agiu por acreditar que o médico sentia atração por ele. Anderson classificou o episódio como uma tentativa de homicídio motivada por homofobia.
Segundo relatos da vítima, tudo começou por volta das 4h, quando a campainha de seu apartamento começou a tocar incessantemente. Desconfiado, Anderson atendeu pela porta, mas acabou surpreendido pela insistência e violência do vizinho, que arrombou a entrada e iniciou o ataque. Durante a agressão, Túlio proferiu ofensas homofóbicas, dizendo que o médico era um “viadinho” e que “tinha que morrer”.
Ainda em estado de choque, o dermatologista relatou que o agressor só justificou a violência como forma de “defender sua honra”. Túlio teria afirmado que acreditava que Anderson “dava em cima dele” e, por isso, praticou a invasão e os ataques. O caso deixou marcas não apenas no corpo do médico, mas também em sua segurança dentro de casa, já que nenhum funcionário do condomínio atendeu seus pedidos de ajuda.
Para tentar salvar sua vida, Anderson gravou trechos do incidente e compartilhou vídeos e relatos em suas redes sociais, pedindo socorro a amigos e seguidores. Ele ressaltou que, enquanto sangrava e lutava por sua integridade física, não encontrou apoio do prédio. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado por ele, e a polícia chegou minutos depois, prendendo o agressor em flagrante. Uma amiga da vítima, que viu os vídeos pelas redes sociais, chegou ao apartamento antes mesmo das autoridades e o acompanhou durante o atendimento.
Após o ataque, Anderson foi levado ao hospital, onde recebeu cuidados médicos e, na sequência, registrou um boletim de ocorrência. A Polícia Civil autuou Túlio pelos crimes de homotransfobia, lesão corporal e violação de domicílio, mas, após audiência de custódia, ele foi liberado mediante o cumprimento de medidas cautelares, entre elas, a proibição de contato com a vítima e o recolhimento domiciliar noturno.
Anderson também relatou que a esposa do agressor, identificada apenas como “Ane”, tentou apagar qualquer registro do ataque ao pegar seu celular com o pretexto de “filmar a situação”. Apesar da turbulência, ele seguiu firme em sua decisão de expor o caso, mencionando que as redes sociais ajudaram a garantir sua segurança até que as autoridades interviessem.
Em nota, a defesa de Túlio negou que os atos tenham sido motivados por homofobia, classificando o episódio como um “fato isolado”. Os advogados ainda questionaram os documentos médicos apresentados pela vítima, alegando que foram emitidos por uma profissional sem especialidade em traumatologia, e reforçaram que Túlio é primário, empresário e teria uma “conduta social regular”.