A morte de baleias-francas-austrais de diferentes idades na região da Península Valdés e do Golfo Nuevo, na Argentina, mobiliza pesquisadores e autoridades ambientais. A mortalidade incomum, registrada desde junho de 2026, inicialmente atingia principalmente filhotes, mas também passou a incluir exemplares jovens e adultos em outubro.
As investigações trabalham com diferentes possibilidades para explicar o fenômeno. Entre os filhotes, análises preliminares identificaram a bactéria Erysipelothrix rhusiopathiae, associada a casos de septicemia, uma infecção grave que pode se espalhar pela corrente sanguínea. A presença do microrganismo, entretanto, ainda não explica sozinha o número elevado de mortes.
Entre os animais jovens e adultos, uma das principais suspeitas é a intoxicação por toxinas produzidas por algas associadas à chamada maré vermelha. O fenômeno ocorre quando determinados organismos microscópicos se multiplicam em grande quantidade na água e podem liberar substâncias prejudiciais à fauna marinha. As baleias podem entrar em contato com essas toxinas durante a alimentação.
A hipótese ganha relevância porque episódios semelhantes foram registrados na região em anos anteriores, incluindo 2022, quando uma investigação científica relacionou mortes de baleias adultas e juvenis a uma proliferação de algas nocivas no Golfo Nuevo.
Outro fator considerado é a influência das condições ambientais e do El Niño, fenômeno climático capaz de alterar temperaturas e padrões oceânicos. Pesquisadores, porém, ressaltam que ainda não há comprovação de que o evento climático seja responsável pela mortalidade observada em 2026.
As equipes continuam recolhendo amostras dos animais e realizando análises laboratoriais. Também estão previstos estudos da água e de moluscos dos golfos Nuevo e San José, que podem ajudar a esclarecer a presença de toxinas e outras alterações ambientais.
O Instituto de Conservação de Baleias reforça que as conclusões precisam se apoiar no conjunto das evidências. Até que os resultados sejam consolidados, não é possível atribuir todas as mortes a uma única causa.