A China está ampliando sua participação no comércio internacional de carne de frango e começa a disputar espaço com o Brasil em mercados tradicionalmente abastecidos pelos exportadores brasileiros. Com preços que podem ficar entre 10% e 20% abaixo dos praticados pelo produto nacional, segundo empresas do setor, a oferta chinesa aumenta a concorrência e pode influenciar as negociações internacionais.
O movimento já chamou a atenção de compradores africanos. A trading Branexx começou a adquirir carne de frango chinesa em março, após clientes da região procurarem alternativas mais baratas às importações brasileiras. Embora a mudança ainda não represente uma substituição generalizada dos fornecedores do Brasil, indica que a China vem conquistando espaço em negociações nas quais o preço é um fator decisivo.
A expansão está relacionada ao crescimento da produção chinesa e aos investimentos feitos pelo país para fortalecer sua segurança alimentar. Com a capacidade produtiva em alta e o consumo interno sem acompanhar o mesmo ritmo, parte da produção passou a buscar compradores no exterior.
Em 2025, as exportações chinesas de produtos de frango movimentaram US$ 2,6 bilhões, quase o dobro do valor registrado em 2020. No mesmo período, a produção de aves cresceu 7%, e o país passou a exportar mais carne de frango do que importar, reforçando sua posição como fornecedor internacional.
A presença chinesa também aumentou em mercados europeus. Na União Europeia, a participação do país no segmento de aves processadas dobrou desde 2022, alcançando 10%. No Reino Unido, a fatia mais que triplicou e superou 14%, sinalizando que a expansão não se limita aos compradores africanos.
Para o Brasil, que ocupa posição de destaque nas exportações mundiais de frango, o avanço chinês representa um novo desafio comercial. Mesmo quando os importadores mantêm seus fornecedores tradicionais, a existência de opções mais baratas pode ser usada para pressionar preços e renegociar contratos.
A disputa tende a depender de fatores que vão além do custo. Escala de produção, eficiência logística, qualidade sanitária, regularidade no fornecimento e acesso a mercados continuam sendo elementos importantes para a competitividade brasileira. Com a China ampliando sua atuação, o setor nacional terá de acompanhar as mudanças na demanda e nas condições de negociação para preservar espaço no comércio internacional.