Mais de 200 milhões de fragmentos com dimensões entre 1 milímetro e 1 centímetro podem estar orbitando a Terra, segundo estimativas atualizadas da Agência Espacial Europeia (ESA). Esses resíduos fazem parte de um problema crescente para a segurança das operações espaciais, pois podem atingir satélites, comprometer sistemas de comunicação e navegação e aumentar os riscos para missões tripuladas.
Dados divulgados pela agência em outubro de 2026 indicam que aproximadamente 47,1 mil objetos são acompanhados regularmente por redes de vigilância espacial. Entretanto, o número de detritos existentes é muito maior, porque boa parte dos fragmentos é pequena demais para ser monitorada de forma contínua.
A estimativa mais recente da ESA aponta cerca de 68.450 objetos com mais de 10 centímetros, aproximadamente 1,5 milhão de fragmentos com dimensões entre 1 e 10 centímetros e 230 milhões de partículas entre 1 milímetro e 1 centímetro.
O lixo espacial inclui satélites desativados, estágios de foguetes, componentes liberados durante missões e fragmentos produzidos por colisões, explosões ou outros eventos em órbita. Mesmo sem função operacional, esses materiais podem permanecer no espaço por períodos prolongados, dependendo da altitude e das condições de suas trajetórias.
O perigo está principalmente na velocidade. Objetos em órbita terrestre podem se deslocar a vários quilômetros por segundo, de modo que até uma partícula pequena pode danificar equipamentos sensíveis. Fragmentos maiores representam riscos ainda mais significativos e podem exigir manobras para evitar colisões.
Quando dois objetos se chocam ou um equipamento explode, o evento pode produzir milhares de novos pedaços, ampliando a quantidade de resíduos e tornando o ambiente orbital mais difícil de administrar.
Os sistemas de vigilância ajudam a identificar objetos maiores, calcular suas trajetórias e avaliar possíveis aproximações perigosas. Já os detritos menores são mais difíceis de rastrear individualmente, o que torna a prevenção e o desenvolvimento de tecnologias para reduzir resíduos ainda mais importantes.
O problema exige medidas de longo prazo, como projetar satélites para reduzir a geração de detritos, retirar equipamentos desativados de órbitas congestionadas e aprimorar o monitoramento. A expansão das atividades espaciais aumenta a importância de garantir que novas missões não agravem os riscos para os equipamentos que já estão em operação.