Um novo relatório do Instituto Socioambiental (ISA) revelou que o desmatamento provocado pelo garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami apresentou queda significativa nos últimos três anos, após o avanço acelerado registrado entre 2021 e 2022.
Apesar da redução, o estudo alerta que os invasores continuam atuando na região com novas estratégias para manter a exploração ilegal de ouro dentro do território indígena.
Segundo o levantamento, a Terra Yanomami acumula atualmente 5.564 hectares degradados pelo garimpo ilegal. Somente em 2025, foram registrados 45,2 hectares de novos desmatamentos causados pela atividade criminosa — número quase 50% menor que os 84 hectares identificados em 2024.
De acordo com o ISA, a diminuição dos índices está relacionada principalmente às operações de desintrusão e fiscalização realizadas pelo governo federal nos últimos anos, com retirada de garimpeiros, destruição de estruturas ilegais e reforço da presença das forças de segurança na região.
Entre na comunidade de WhatsApp do Centroeste News e receba notícias em tempo real
No entanto, especialistas alertam que o problema ainda está longe de ser solucionado de forma definitiva.
O geógrafo Estêvão Senra afirmou que apenas as operações de retirada não são suficientes para impedir o retorno das invasões.
Segundo ele, o combate ao garimpo ilegal exige ações permanentes de vigilância territorial, fortalecimento da proteção indígena e maior controle sobre a cadeia comercial do ouro no Brasil.
“Sem estratégias de proteção territorial de médio e longo prazo, existe risco de uma nova onda de invasões no futuro próximo”, alertou o pesquisador.
A Terra Indígena Yanomami é considerada uma das maiores reservas indígenas do país e enfrenta há anos problemas relacionados à mineração ilegal, contaminação por mercúrio, violência e crises humanitárias que afetam diretamente as comunidades indígenas.
Organizações ambientais e indígenas também apontam que o garimpo ilegal provoca impactos severos sobre rios, florestas e modos de vida tradicionais, além de favorecer a entrada de doenças e conflitos armados dentro do território.
Nos últimos anos, a situação na região ganhou repercussão internacional após denúncias sobre aumento da fome, desnutrição infantil e problemas de saúde enfrentados pelo povo Yanomami.