Uma esperança cautelosa surge em meio à escalada de tensões no Oriente Médio, com Estados Unidos e Irã concordando com um cessar-fogo temporário para abrir caminho a negociações de paz. O Paquistão emerge como mediador fundamental, com sua capital, Islamabad, pronta para sediar um encontro crucial nesta sexta-feira, 10 de abril de 2026, buscando um desfecho definitivo para o conflito que também arrasta Israel. A trégua inicial, anunciada pelo primeiro-ministro paquistanês Shehbaz Sharif, tem validade de duas semanas e prevê a reabertura do estratégico Estreito de Ormuz, embora Israel tenha ressaltado que o acordo não se estende ao Líbano.
Shehbaz Sharif expressou satisfação com o que chamou de “gesto sensato” e convocou as delegações a Islamabad para aprofundar as conversas. O presidente dos EUA, Donald Trump, e o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, confirmaram o pacto de não agressão, um respiro após dias de ataques e ameaças que mantiveram o mundo em alerta. O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, também endossou a participação de seu país, indicando que a delegação será liderada pelo presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf. Do lado americano, ainda não há confirmação oficial dos nomes, mas autoridades como o vice-presidente J.D. Vance, o enviado especial Steve Witkoff e Jared Kushner, genro de Trump, já estiveram envolvidos nas tratativas e podem integrar o grupo.
J.D. Vance revelou que o presidente Trump está “impaciente” por avanços, sugerindo que um acordo é possível se Teerã negociar “em boa fé”, sem especificar o que isso implicaria. Trump, por sua vez, declarou que todos os objetivos militares dos EUA no Irã foram alcançados e que as negociações de paz estão em estágio avançado. Segundo o líder americano, uma proposta iraniana de dez pontos é vista como uma base viável para o diálogo, com “quase todos os pontos de divergência já acordados”. Essa janela de duas semanas seria, portanto, para selar e finalizar o entendimento. A Casa Branca assegurou que Israel também faz parte desta trégua.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, confirmou o acordo, afirmando que Teerã suspenderá as ações defensivas mediante a interrupção dos ataques. Ele detalhou que a passagem pelo Estreito de Ormuz será segura durante a trégua, sob coordenação com as Forças Armadas iranianas e observando “limitações técnicas”. Araghchi mencionou que os EUA propuseram negociações baseadas em quinze pontos, mas aceitaram a base dos dez pontos iranianos. A televisão estatal iraniana, contudo, classificou o acordo como um “recuo humilhante de Trump” e enfatizou que a trégua não significa o fim da guerra, reiterando as exigências de Teerã: o fim das sanções americanas, o pagamento de compensação integral e a liberação de todos os ativos iranianos congelados. Entre os dez pontos apresentados pelo Irã estão a não agressão, a permanência do controle iraniano sobre o Estreito de Ormuz, a aceitação do enriquecimento de urânio, a suspensão de todas as sanções e resoluções da ONU, o pagamento de indenização, a retirada das forças de combate dos EUA da região e a cessação da guerra em todas as frentes, incluindo o Líbano.
Antes deste anúncio, o cenário era de tensão máxima. As ameaças de Trump de “48 horas” para o Irã geraram alertas sobre possíveis crimes de guerra e impactos globais. Bombardeios foram registrados, com os EUA atingindo a estratégica ilha de Kharg, um centro vital para o petróleo iraniano, e Israel realizando “amplos ataques” em território iraniano, incluindo pontes, ferrovias, aeroportos e até uma petroquímica. O Irã reagiu convocando a população para formar escudos humanos e atacando países do Golfo. Agora, a comunidade internacional observa com apreensão e esperança os passos em Islamabad, que podem determinar o futuro de uma região em constante ebulição e, por extensão, a estabilidade global.