O chefe do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), Jamieson Greer, afirmou que práticas de desmatamento no Brasil proporcionam uma “vantagem desleal” ao agronegócio brasileiro em relação aos produtores norte-americanos. A declaração foi feita durante uma audiência sobre a agenda econômica do governo dos Estados Unidos.
Segundo Greer, esse entendimento foi um dos fundamentos utilizados pelo governo norte-americano para justificar a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre diversos produtos brasileiros, no âmbito da investigação conduzida com base na Seção 301 da legislação comercial dos Estados Unidos.
De acordo com o representante comercial, o governo norte-americano vem tentando negociar o tema com o Brasil há mais de um ano, mas, segundo ele, não recebeu respostas consideradas satisfatórias. Greer afirmou que a falta de avanços nas negociações contribuiu para a adoção das medidas tarifárias.
A investigação da Seção 301 é um instrumento utilizado pelos Estados Unidos para avaliar práticas comerciais de outros países que possam ser consideradas injustas ou discriminatórias e que afetem empresas e produtores norte-americanos.
As declarações reforçam que a política ambiental brasileira passou a integrar os argumentos utilizados pelos Estados Unidos nas discussões comerciais entre os dois países, ampliando o debate para além de questões estritamente econômicas.
O governo brasileiro ainda poderá apresentar seus argumentos e contestar as justificativas adotadas pelos Estados Unidos no âmbito das negociações comerciais e dos mecanismos internacionais cabíveis.