No mesmo dia em que a nova tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros entrou em vigor, o governo Luiz Inácio Lula da Silva anunciou a terceira fase do plano Brasil Soberano, com R$ 18,5 bilhões em linhas de crédito subsidiado para socorrer as empresas afetadas pela guerra comercial e pelos conflitos internacionais. O anúncio foi feito nesta quarta-feira (22) no Palácio do Planalto, em cerimônia que contou com a presença do presidente e de ministros da área econômica.
Do total do pacote, R$ 13,5 bilhões sairão do Tesouro Nacional e outros R$ 5 bilhões virão do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social. As linhas de crédito terão juros que variam de 3% ao ano para setores estratégicos como minerais críticos até 9,80% ao ano para capital de giro de grandes empresas — taxas subsidiadas, abaixo das praticadas pelo mercado. Os recursos poderão ser usados para capital de giro, aquisição de bens, investimentos produtivos, inovação tecnológica, adaptação de produtos e prospecção de novos mercados.
Em discurso no evento, Lula afirmou que o Brasil não vai sair da mesa de negociações, mas criticou a forma como o governo americano conduziu o processo. “Ninguém vai ganhar do Brasil mentindo”, disse o presidente, que também fez questão de projetar otimismo: “Estamos demonstrando que não há crise que impeça o Brasil de continuar crescendo.” O ministro da Fazenda, Dario Durigan, explicou que os R$ 13,5 bilhões representam um limite, e não um valor a ser gasto obrigatoriamente — a liberação ocorrerá conforme a demanda dos setores afetados.
A taxa de 25% aplicada por Donald Trump deve atingir 15% da pauta exportadora brasileira para os Estados Unidos, algo como US$ 5,8 bilhões com base no volume de 2025. Os setores mais prejudicados, segundo o Ministério do Desenvolvimento, são madeira, móveis, produtos cerâmicos, máquinas e equipamentos, calçados e açúcar.
Além do tarifaço americano, o pacote também atenderá empresas prejudicadas pelos conflitos no Golfo Pérsico e setores considerados estratégicos para a balança comercial, como fertilizantes, produtos químicos, farmacêuticos, têxteis e automotivos. O ministro Márcio Elias Rosa adiantou que o programa também acolherá os impactos da nova tarifa de 10% a 12,5% por trabalho forçado, que deve ser anunciada pelos EUA ainda nesta semana.
O Brasil Soberano 3 é o mais novo capítulo de uma sequência de pacotes: o primeiro, em agosto de 2025, destinou R$ 30 bilhões após o tarifaço de 50%; o segundo, em março deste ano, liberou R$ 21 bilhões. Agora, com a nova rodada, o governo tenta equilibrar a proteção ao setor produtivo com a responsabilidade fiscal, em meio a um cenário internacional cada vez mais incerto e a uma guerra comercial que parece estar longe do fim.