A casa onde nasceu Adolf Hitler, na cidade de Braunau am Inn, na Áustria, passa a funcionar oficialmente como delegacia de polícia e sede do comando distrital a partir desta quarta-feira (22). A medida faz parte de uma estratégia do governo austríaco para impedir que o imóvel continue sendo utilizado como ponto de encontro e peregrinação por grupos neonazistas.
O prédio foi desapropriado pelo governo em 2016, após anos de discussões sobre o destino do local. Desde então, passou por uma ampla reforma, com investimento de aproximadamente 20 milhões de euros. O projeto adotou um estilo arquitetônico minimalista, com o objetivo de descaracterizar o imóvel e reduzir seu potencial como símbolo de exaltação ao nazismo.
Para as autoridades austríacas, transformar a antiga residência em uma instalação pública ligada ao Estado democrático representa uma forma de ressignificar o espaço e reforçar o combate ao extremismo. A expectativa é que a presença permanente da polícia contribua para afastar manifestações de grupos que tentam homenagear o ditador nazista.
A decisão, no entanto, divide opiniões. Historiadores, especialistas e parte dos moradores de Braunau am Inn defendiam que o edifício fosse transformado em um centro de memória ou de educação voltado à reflexão sobre os crimes do regime nazista e os riscos do extremismo.
Os críticos também apontam que a escolha da polícia como nova ocupante do imóvel é controversa, lembrando que forças policiais desempenharam papel importante na repressão e na perseguição promovidas durante o regime nazista. Na avaliação desse grupo, um espaço dedicado à preservação da memória histórica teria maior valor educativo.
O debate sobre o destino da casa acompanha há décadas a sociedade austríaca, que busca conciliar a preservação da memória histórica com medidas para impedir que locais ligados ao nazismo sejam transformados em símbolos de culto à ideologia extremista.