Em discurso na tribuna, uma deputada levantou questionamentos contundentes sobre o conteúdo da nova versão da Caderneta da Gestante, distribuída pelo governo. Para ela, o material, que deveria ser um instrumento técnico voltado à saúde da mãe e do bebê, traz uma abordagem que vai muito além do que seria esperado.
A parlamentar apontou que, em vez de tratar exclusivamente do acompanhamento da gestação e dos cuidados com o recém-nascido, a caderneta aborda temas como identidade de gênero, gestação não desejada e interrupção da gravidez. Ela classificou essa abordagem como um esvaziamento simbólico do conceito de mulher e uma descaracterização da maternidade.
Durante o pronunciamento, a deputada desafiou qualquer um a apontar imprecisões em sua fala, afirmando que tudo o que disse está registrado no próprio documento. Ela convidou os colegas parlamentares a lerem páginas específicas da caderneta, citando os trechos 29 a 33 e 83 a 85, onde, segundo ela, o conteúdo ideológico estaria evidente.
Para a deputada, a caderneta deveria se limitar a orientações sobre saúde da mãe e do filho, sem abrir espaço para o que chamou de pavimentação de caminho para o aborto. Ela também criticou a estratégia de manipulação semântica, afirmando que setores políticos utilizam a linguagem como ferramenta para transformar valores sociais.
O discurso acendeu um debate sobre os limites entre informação técnica e conteúdo ideológico em materiais oficiais voltados à saúde pública.