A China não autorizou o Brasil a utilizar parte da cota de importação de carne bovina que havia sido disponibilizada pelo Uruguai. Com a decisão, os embarques brasileiros que ultrapassarem o limite estabelecido para 2026 poderão enfrentar uma tarifa total de 67% para entrar no mercado chinês.
O Uruguai havia concordado em disponibilizar ao Brasil cerca de 80 mil toneladas de sua cota não utilizada. O país possui autorização para exportar até 324 mil toneladas de carne bovina para a China neste ano, mas parte desse volume não deverá ser preenchida.
A transferência dependia da aprovação do governo chinês, que acabou não autorizando o acordo. Segundo informações divulgadas pelo Canal Rural, Pequim também rejeitou a possibilidade de o Brasil utilizar o excedente uruguaio em 2027.
Para 2026, o Brasil recebeu uma cota de aproximadamente 1,1 milhão de toneladas de carne bovina. Dentro desse limite, a tarifa regular de importação é de 12%. Para volumes que ultrapassarem a cota, é aplicada uma sobretaxa de 55%, elevando a cobrança total para 67%.
A decisão aumenta a pressão sobre os frigoríficos brasileiros, já que a China é o principal mercado externo para a carne bovina produzida no Brasil. Com o limite anual próximo de ser atingido, as empresas precisarão avaliar se compensa manter os embarques para o mercado chinês com a tarifa mais elevada ou redirecionar parte da produção para outros países.
A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) estima que as exportações brasileiras de carne bovina possam recuar cerca de 10% em 2026, diante das restrições comerciais em mercados importantes.
A cota brasileira deverá ser renovada em 2027, quando o limite previsto deve subir para aproximadamente 1,128 milhão de toneladas. Até lá, os volumes que excederem a quantidade autorizada para 2026 estarão sujeitos à cobrança adicional determinada pelo governo chinês.