A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) estima que poderá perder R$ 420 milhões em receitas em 2027 caso seja mantida a proibição das apostas esportivas on-line no Brasil. A entidade alerta que o impacto financeiro tende a crescer nos próximos anos e poderá atingir diferentes áreas do futebol nacional.
A projeção foi apresentada na terça-feira (3), durante uma audiência pública no Supremo Tribunal Federal (STF), convocada para discutir os efeitos da Medida Provisória (MP) nº 1.394/2026, que proibiu as apostas on-line no país. O encontro reuniu representantes do governo, de entidades esportivas e de outros setores interessados na discussão.
Segundo a CBF, a retirada das empresas de apostas do mercado aconteceu em um período estratégico, justamente quando a confederação e as federações estaduais negociavam contratos de patrocínio para o ciclo de 2027 a 2030.
Os números apresentados pela entidade indicam que 27 dos 40 clubes das Séries A e B do Campeonato Brasileiro masculino tinham empresas de apostas como patrocinadoras principais. Esses acordos movimentavam aproximadamente R$ 1 bilhão, equivalente a 35% da receita dos clubes com patrocínios.
A CBF também detalhou que sua previsão de arrecadação para 2027, inicialmente estimada em R$ 2,7 bilhões, poderá cair para R$ 2,28 bilhões. A entidade calcula ainda que as perdas aumentem gradualmente, chegando a aproximadamente R$ 2 bilhões acumulados até 2030.
Na avaliação da confederação, a redução dos investimentos comerciais pode provocar uma disputa maior por patrocinadores, diminuir os valores dos contratos e comprometer recursos destinados às competições e aos clubes. A entidade também argumenta que a mudança precisa considerar os compromissos financeiros já assumidos pelo setor.
O governo, por outro lado, defende a proibição com base nos impactos das apostas sobre a saúde pública e o orçamento das famílias. Representantes do Executivo afirmam que a regulamentação anterior não foi suficiente para conter problemas como endividamento e comportamento compulsivo relacionado aos jogos.
O STF discute a validade da medida provisória e seus efeitos jurídicos, econômicos e sociais. A audiência pública teve o objetivo de reunir informações e argumentos de diferentes setores antes da análise das ações que questionam a decisão. Portanto, a estimativa apresentada pela CBF representa a projeção financeira da entidade, e não uma perda já concretizada.