O Partido Democrata conquistou o controle da Câmara dos Representantes e do Senado dos Estados Unidos nas eleições de meio de mandato realizadas na terça-feira (3). O resultado representa uma mudança importante na composição do Congresso e deve alterar a relação entre o Legislativo e o presidente Donald Trump nos próximos dois anos.
Na apuração divulgada nesta quinta-feira (5), os democratas já somavam pelo menos 54 das 100 cadeiras do Senado, incluindo dois independentes que atuam em conjunto com o partido. Na Câmara, a legenda também garantiu maioria, com pelo menos 30 assentos conquistados em relação à composição anterior. 
Com o novo cenário, lideranças democratas anunciaram que pretendem intensificar a fiscalização sobre o governo Trump. Entre as prioridades estão a abertura de investigações sobre decisões do presidente e de integrantes de sua administração, além de medidas voltadas à redução do custo de vida e ao enfrentamento da inflação.
A vitória também foi associada ao descontentamento de parte do eleitorado com a condução da guerra envolvendo os Estados Unidos e o Irã, além da alta dos preços e de outras decisões econômicas do governo. O próprio Trump reconheceu que o conflito teve influência no resultado eleitoral, embora tenha defendido sua política externa. 
O vice-presidente JD Vance também atribuiu parte da derrota republicana à guerra no Irã. A declaração chamou atenção por ocorrer em meio às discussões sobre a reação do Partido Republicano ao resultado e os próximos passos da administração.
A nova maioria democrata, no entanto, só assumirá oficialmente o controle das duas Casas em janeiro de 2027. Até lá, os republicanos continuam comandando o Congresso durante o período de transição. A mudança poderá dificultar a aprovação de projetos do governo e ampliar o número de investigações e debates envolvendo a Casa Branca.