O presidente do Paraguai, Santiago Peña anunciou, nesta quinta-feira (5), sua renúncia ao cargo em meio a uma das maiores crises políticas e financeiras recentes do país. A decisão foi comunicada por meio de um vídeo publicado nas redes sociais, poucas horas após o avanço de um processo de impeachment na Câmara dos Deputados.
A saída ocorre após o colapso do Ueno Bank, instituição financeira que teve suas operações interrompidas por determinação do Banco Central do Paraguai. A crise deixou aproximadamente 3 milhões de clientes sem acesso às contas e provocou protestos de correntistas em diferentes regiões do país.
O banco enfrentava problemas relacionados à falta de solvência e a operações de crédito consideradas irregulares. Segundo informações divulgadas pela imprensa, a instituição também concentrava cerca de US$ 850 milhões em recursos públicos, incluindo depósitos vinculados a fundos previdenciários.
A situação ganhou dimensão política porque Peña foi acionista do Grupo Vázquez, controlador do Ueno Bank, até março de 2025. A oposição passou a questionar possíveis conflitos de interesse e a atuação do governo na condução da crise, além de levantar suspeitas sobre a utilização de recursos públicos.
Na quarta-feira (4), parlamentares da oposição apresentaram uma acusação formal para abertura de processo de impeachment contra o presidente e o vice-presidente Pedro Alliana. A movimentação ganhou força após lideranças do próprio Partido Colorado, ao qual Peña pertence, demonstrarem apoio ao afastamento.
Em pronunciamento, Peña afirmou que decidiu deixar a Presidência para preservar a estabilidade política, a paz social e as instituições democráticas. O presidente também pediu desculpas à população caso tenha falhado durante sua administração, mas não assumiu diretamente responsabilidade pelas irregularidades envolvendo o banco.
A renúncia ainda depende de aprovação do Congresso Nacional. Caso seja aceita, o vice-presidente Pedro Alliana deverá assumir a Presidência e concluir o mandato, previsto para agosto de 2028. Peña, por sua vez, poderá ocupar uma cadeira de senador vitalício, conforme estabelece a Constituição paraguaia para ex-presidentes que deixam o cargo sem destituição.
A crise também provocou mudanças na estrutura financeira do país. O presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, deixou o cargo durante os desdobramentos do caso, enquanto autoridades iniciaram investigações sobre dirigentes e operações da instituição financeira. O episódio ampliou as preocupações sobre a fiscalização bancária e a segurança dos recursos depositados no sistema financeiro paraguaio.
Fontes:CNN Brasil