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Na guerra, a necessidade realmente é a mãe da invenção. Um vídeo divulgado pela 11ª brigada independente de aviação do Exército ucraniano mostra uma cena que impressiona pela combinação de criatividade e coragem: o piloto Stanislav, sentado no banco do passageiro de um avião de hélices soviético Yak-52, usa um fuzil de alto calibre com mira óptica para abater drones russos em pleno voo. Sem mísseis, sem sistemas eletrônicos sofisticados — apenas pontaria, paciência e uma arma de mão.

Stanislav opera na região de Kherson, no sul da Ucrânia, uma das linhas de frente mais quentes do conflito que já dura cinco anos sem perspectivas concretas de fim. Em entrevista ao site ucraniano Censor.net, o soldado descreveu a sensação de cumprir a missão de forma incomum.

 

Disse que a verdadeira percepção do dever cumprido não vem no céu, mas quando se retorna à base, se vê o céu limpo e se ouve no rádio que não há mais alvos aéreos. É nesse momento, segundo ele, que vêm a satisfação e a tranquilidade.

Os alvos abatidos por Stanislav parecem ser drones do modelo Shahed, de origem iraniana, mas que a Rússia passou a fabricar internamente ao longo do conflito. Esses projéteis viajam longas distâncias em velocidades mais baixas que as de mísseis convencionais, o que abre uma janela para que sejam interceptados com armas como fuzis.

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Mas eles não são alvos fáceis: os drones se tornaram a grande estrela da guerra justamente por serem baratos, difíceis de detectar por radares tradicionais e letais em ataques aéreos que acontecem quase diariamente dos dois lados.

Enquanto a guerra de trincheiras se arrasta sem solução à vista, a criatividade dos combatentes vai se adaptando à escassez de equipamentos. No mesmo dia em que o vídeo de Stanislav viralizou, cinco pessoas — incluindo uma criança — morreram em um ataque noturno com drones ucranianos em Rostov do Don, no sul da Rússia.

 

Do outro lado, bombardeios russos continuam deixando mortos e feridos na Ucrânia quase todos os dias. A guerra segue, e cada lado busca suas próprias formas de sobreviver a ela.

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Jornalista: José Claudenir de Almeida – DRT nº 0001650

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