O Partido Novo oficializou nesta segunda-feira (27) o nome do ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema como candidato à Presidência da República. O anúncio foi feito em Brasília, após uma convenção nacional realizada virtualmente, e contou com a presença do presidente da sigla, Eduardo Ribeiro.
Ainda sem um nome definido para compor a chapa como vice, Zema agradeceu o apoio unânime dos colegas e afirmou reunir todas as credenciais para disputar o cargo — mais, segundo ele, do que seus concorrentes.
Empresário de formação e ex-governador de Minas Gerais entre 2019 e março de 2026 — quando renunciou para se lançar à corrida presidencial —, Zema apresentou um discurso de tom duro contra o STF, o setor público e o que chamou de polarização política.
Disse que o brasileiro está cansado desse embate e que Minas Gerais já viveu processo semelhante quando ele foi eleito. Também criticou abertamente o governo Lula e o PT, ecoando a insatisfação que tem marcado o discurso da oposição.
Na área da segurança pública, o candidato defendeu medidas de forte apelo popular. Prometeu classificar facções criminosas como organizações terroristas, construir um superpresídio em local remoto — de preferência no meio da Amazônia — para concentrar lideranças do crime organizado, e garantir que esses presos permaneçam encarcerados por pelo menos 25 anos.
Também propôs uma atuação mais rigorosa do Estado em regiões dominadas por facções, onde a presença do poder público é reduzida.
O tom contra o Supremo Tribunal Federal também marcou a fala de Zema. Ele defendeu mudanças nas regras de indicação e funcionamento da Corte, incluindo idade mínima de 60 anos para nomeação de ministros, adoção de lista tríplice para a escolha dos indicados e o fim das decisões monocráticas em temas já analisados pelo Congresso.
Mencionou ainda ser alvo de um processo movido pelo ministro Gilmar Mendes e classificou como aberrações o que tem acontecido no STF.
Na economia, Zema defendeu a ampliação das privatizações de estatais, afirmando que não existe vaca sagrada e que o Estado deveria se concentrar em saúde, educação, segurança e infraestrutura.
Criticou o modelo de emendas parlamentares e disse ser contra o toma lá, dá cá que domina as negociações políticas em Brasília.
Sobre a escolha do vice, Zema afirmou que o partido ainda não bateu o martelo e que a decisão será tomada até o prazo final da legislação eleitoral, em 5 de agosto. O nome do ex-presidente do STF Joaquim Barbosa foi mencionado pelo candidato como uma possibilidade, mas ainda depende de novas conversas e do aval do diretório nacional do Novo.
Zema elogiou Barbosa, afirmou que ele tem uma carreira irretocável e que representa o oposto de vários ministros da atual composição da Corte. O partido exige que o indicado tenha ficha limpa e esteja alinhado ao compromisso de não ceder a pressões políticas.