A cobrança de imposto sobre compras internacionais de até US$ 50, conhecida popularmente como “taxa das blusinhas”, voltou ao centro das discussões econômicas após levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) indicar impactos positivos para o mercado interno. Segundo a entidade, a medida ajudou a preservar 135,8 mil empregos no país, além de estimular a circulação de recursos dentro da economia brasileira.
Implementada em agosto de 2024 por meio do programa Remessa Conforme, a regra passou a exigir 20% de Imposto de Importação sobre encomendas de pequeno valor realizadas em plataformas estrangeiras. O objetivo oficial foi ampliar a fiscalização, reduzir fraudes e equilibrar a concorrência entre produtos importados e mercadorias fabricadas no Brasil.
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“A Assembleia confia na Polícia Federal, no Ministério Público e na imprensa”. A declaração é do presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), deputado Max Russi (Podemos), ao defender o aprofundamento das investigações da Operação Tomada de Contas, deflagrada pela Polícia Federal em 29 de outubro, que resultou na prisão do presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE), Sérgio Ricardo. Durante coletiva de imprensa realizada na manhã desta quarta-feira (4), o parlamentar classificou a situação como muito ruim e destacou a importância da atuação dos órgãos responsáveis, além do acompanhamento da imprensa, para o esclarecimento dos fatos e a responsabilização dos envolvidos, caso sejam comprovadas irregularidades. “Eu acredito que isso vai ser muito bem apurado, a sociedade vai acompanhar de perto e a Assembleia Legislativa também. Vamos confiar nesses órgãos e aquilo que for papel da ALMT, nós vamos tomar todas as providências, eu falo em nome do parlamento estadual e tenho certeza que podemos contar com todos os deputados”, afirmou Max. O presidente reforçou ainda que a Assembleia acompanhará os desdobramentos da operação e adotará as medidas que estiverem dentro de suas atribuições, conforme o avanço das investigações. A intenção, segundo o parlamentar, é contribuir para que os fatos sejam esclarecidos e eventuais responsabilidades sejam devidamente apuradas. A Operação A Operação Tomada de Contas foi deflagrada em 29 de outubro pela Polícia Federal (PF), com autorização do Superior Tribunal de Justiça (STJ), para investigar um suposto esquema de fraudes em contratos, lavagem de dinheiro e organização criminosa no Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT). Foram cumpridos mandados de prisão preventiva contra o presidente do TCE, Sérgio Ricardo de Almeida, além de outros investigados, entre eles o consultor jurídico-geral Grhegory Paiva Pires, Roseli Loss, Adriangelo Barros Antunes, Gustavo Fernandes da Silva e Felipe José Glinke.
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De acordo com os dados apresentados pela CNI, cerca de R$ 4,5 bilhões em importações deixaram de entrar no mercado nacional após a mudança. Para a indústria, esse volume representou mais espaço para empresas brasileiras venderem, produzirem e manterem postos de trabalho. A entidade também calcula que R$ 19,7 bilhões circularam internamente em razão da substituição de compras externas por consumo nacional.
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Outro efeito observado foi a redução no número de remessas internacionais. Em 2024, o Brasil recebeu 179,1 milhões de encomendas vindas do exterior. Já em 2025, esse total caiu para 159,6 milhões. O recuo reforça a mudança de comportamento do consumidor diante do aumento no custo das compras online em sites estrangeiros.
Além do impacto comercial, a arrecadação federal também avançou. O imposto sobre remessas internacionais gerou R$ 1,4 bilhão em 2024 e alcançou R$ 3,5 bilhões em 2025, segundo o levantamento. Os recursos ampliam receitas públicas em um momento de busca por equilíbrio fiscal e aumento da capacidade de investimento do governo.
Representantes do setor produtivo defendem que a taxação corrige uma distorção histórica. Antes da nova regra, muitos produtos chegavam ao Brasil com tributação reduzida ou até sem recolhimento adequado, enquanto empresas nacionais enfrentavam custos elevados para produzir, contratar e vender. Para a indústria, isso criava competição desigual.
Por outro lado, consumidores seguem criticando a medida. Para quem utilizava plataformas internacionais em busca de preços mais baixos, a cobrança encareceu itens como roupas, acessórios, eletrônicos e utensílios domésticos. O debate entre proteção da produção nacional e acesso a produtos baratos continua dividindo opiniões.
Com previsão de novas discussões no Congresso, a “taxa das blusinhas” se tornou símbolo de um impasse maior: como proteger empregos e arrecadar mais sem pesar no bolso da população.