A Polícia Federal concluiu um dos inquéritos da Operação Sem Desconto e indiciou 48 pessoas por suspeita de participação em um esquema de descontos irregulares aplicados sobre benefícios previdenciários pagos pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Entre os indiciados estão o ex-presidente do INSS, Alessandro Antônio Stefanutto, o ex-procurador-geral da autarquia, Virgílio Antônio Ribeiro Filho, e o ex-diretor de Benefícios, André Fidelis. Eles são investigados pelos crimes de organização criminosa, corrupção, lavagem de dinheiro e outras infrações relacionadas ao suposto esquema.
De acordo com a Polícia Federal, as investigações apontam que entidades associativas realizavam descontos em aposentadorias e pensões sem autorização dos beneficiários. O prejuízo estimado pode chegar a R$ 6 bilhões, atingindo milhares de segurados em todo o país.
Segundo o inquérito, Alessandro Stefanutto teria deixado de adotar medidas para fiscalizar a atuação dessas entidades em troca do recebimento de vantagens indevidas. A investigação aponta que os pagamentos ilícitos poderiam alcançar R$ 250 mil por mês, valor que, segundo a PF, seria destinado ao então presidente do instituto.
Os investigadores afirmam que o grupo utilizava a estrutura administrativa do INSS para permitir a continuidade dos descontos, beneficiando associações e empresas que cobravam mensalidades diretamente dos benefícios previdenciários sem a autorização dos aposentados e pensionistas.
Com a conclusão dessa etapa da investigação, o relatório foi encaminhado ao Ministério Público Federal, que analisará as provas reunidas e decidirá se apresentará denúncia à Justiça contra os investigados.
A Operação Sem Desconto continua em andamento, e a Polícia Federal não descarta novos indiciamentos à medida que outros inquéritos relacionados ao caso forem concluídos.