O Ministério Público Federal (MPF) lançou uma campanha de conscientização para alertar a população sobre os riscos do tráfico de pessoas, crime que tem registrado crescimento no Brasil e utiliza cada vez mais a internet e ferramentas de inteligência artificial para atrair vítimas com falsas promessas de emprego, viagens e melhores condições de vida.
De acordo com o Relatório Nacional sobre Tráfico de Pessoas, o número de brasileiros vítimas desse tipo de crime aumentou 33% no último ano. Diante desse cenário, o MPF divulgará, ao longo de julho, conteúdos informativos em seu site, redes sociais, rádio e televisão com orientações sobre como identificar tentativas de aliciamento e denunciar casos às autoridades.
A iniciativa é coordenada pela Unidade Nacional de Enfrentamento do Tráfico Internacional de Pessoas e do Contrabando de Migrantes (UNTC), vinculada à Secretaria de Cooperação Internacional do MPF. As denúncias podem ser feitas pela plataforma MPF Serviços, além dos telefones 100 e 180. Para brasileiros que estejam no exterior, a orientação é procurar o consulado brasileiro mais próximo.
Uma das modalidades que mais preocupa as autoridades é o recrutamento de jovens para trabalhar em países do Sudeste Asiático. Segundo o MPF, o Camboja foi o principal destino de brasileiros traficados no último ano. As vítimas são atraídas por anúncios de empregos com altos salários e benefícios, mas, ao chegarem ao destino, têm os passaportes retidos, acumulam dívidas impostas pelos criminosos e são obrigadas a trabalhar em centros de golpes virtuais, conhecidos como scam centres, sob jornadas exaustivas.
O órgão também investiga casos de pessoas aliciadas para atuar em regiões de conflito armado. Conforme as denúncias, as ofertas prometem funções de apoio, como cozinheiros ou operadores de drones, mas as vítimas acabam sendo enviadas para áreas de combate.
Além dessas situações, o tráfico de pessoas também envolve exploração sexual, trabalho análogo à escravidão, remoção ilegal de órgãos e adoção ilegal. O crime está previsto no artigo 149-A do Código Penal e pode resultar em penas de quatro a oito anos de prisão, com aumento quando há envio da vítima para outro país.
O MPF orienta que a população desconfie de propostas de emprego com remuneração muito acima da média, passagens e hospedagem gratuitas, facilidades para obtenção de visto e exigências para entrega de documentos pessoais. Antes de aceitar qualquer oferta, é importante verificar a idoneidade da empresa, exigir contrato formal, conversar com pessoas que já trabalharam no local e compartilhar o roteiro da viagem com familiares.
A campanha integra a Coração Azul, iniciativa mundial criada pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), e também faz parte do projeto Liberdade no Ar, realizado em parceria com outras instituições para conscientizar passageiros em aeroportos e alertar sobre o aliciamento de crianças e adolescentes pelas redes sociais.