Pesquisadores brasileiros identificaram, pela primeira vez, a presença de bactérias do gênero Flavobacterium responsáveis pela columnariose, uma doença que afeta peixes de criação destinados ao consumo humano. Até então, a enfermidade havia sido registrada em sistemas de aquicultura apenas em países da Ásia e nos Estados Unidos.
Embora a doença não seja transmissível aos seres humanos, ela representa uma preocupação para o setor aquícola por causar elevadas perdas econômicas. Nos peixes infectados, a bactéria provoca lesões na pele e nas nadadeiras, além de necrose nas brânquias, podendo levar os animais à morte em poucos dias.
No Brasil, a presença da bactéria foi confirmada em tilápias — espécie originária da África e amplamente cultivada no país — e também em espécies nativas, como tambaqui, pacu e pintado-da-amazônia.
A pesquisa foi conduzida por cientistas do Centro de Aquicultura da Universidade Estadual Paulista (Caunesp), em parceria com pesquisadores de Moçambique. Os resultados foram publicados em maio na revista científica Microbial Pathogenesis.
Como parte das estratégias para controlar a doença, os pesquisadores observaram que a adição de sal à água dos viveiros apresentou resultados promissores na redução da ação das bactérias. No entanto, eles ressaltam que ainda são necessários estudos para definir os níveis ideais de salinidade para cada espécie de peixe, evitando impactos ao desenvolvimento dos animais.
A equipe também continuará realizando análises genômicas das cepas identificadas nos criadouros brasileiros. O objetivo é desenvolver vacinas específicas para cada variante da bactéria, aumentando a eficiência no controle da doença e reduzindo os prejuízos para os produtores.
A descoberta representa um avanço importante para a sanidade aquícola no Brasil, permitindo a adoção de medidas de prevenção, diagnóstico e manejo mais eficazes para proteger a produção nacional de peixes.