A escalada dos preços internacionais do petróleo e de outras commodities, impulsionada pelo conflito no Golfo Pérsico, já começa a produzir efeitos sobre a economia da América Latina e do Caribe. A avaliação é da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), que aponta a inflação como o principal canal de transmissão dos impactos na região.
De acordo com estudo divulgado pelo órgão vinculado à Organização das Nações Unidas (ONU), embora os países latino-americanos tenham exposição comercial e logística relativamente limitada ao conflito, o aumento acelerado das cotações do barril de petróleo e de produtos básicos eleva os custos de produção, transporte e energia, pressionando os índices de preços.
A Cepal ressalta que os efeitos não devem se limitar ao curto prazo. A persistência dos preços elevados poderá influenciar as políticas monetária e fiscal dos países da região nos próximos meses, além de provocar reflexos sobre o comércio exterior, os investimentos e os mercados financeiros em um horizonte mais longo.
Apesar das preocupações, o estudo destaca que a América Latina e o Caribe apresentam uma posição relativamente mais favorável do que outras regiões, como Europa e Ásia. Isso ocorre porque parte das maiores economias latino-americanas é exportadora líquida de hidrocarbonetos, o que pode compensar parcialmente os impactos negativos provocados pela alta internacional dos preços da energia.
Ainda assim, a Cepal alerta que os benefícios obtidos por países exportadores podem não ser suficientes para neutralizar o aumento do custo de vida, especialmente em economias mais dependentes da importação de combustíveis e de insumos industriais.
Segundo o organismo, o cenário exige atenção dos governos para equilibrar o controle da inflação com medidas que preservem o crescimento econômico e protejam a população dos efeitos do aumento dos preços.