CentroesteNews
08/05/2025
Anna Vitória Bispo
Um levantamento divulgado nesta quinta-feira (8) revela que 52,9% das pessoas vivendo com HIV no Brasil já enfrentaram algum tipo de discriminação. Produzido por um consórcio de organizações da sociedade civil, o Índice de Estigma em Relação às Pessoas Vivendo com HIV 2025 também aponta que 38,8% das pessoas ouvidas foram alvo de fofocas ou comentários discriminatórios.
A pesquisa entrevistou 1.275 pessoas em sete capitais brasileiras e revela violações graves de direitos, como quebra de sigilo, violência física e recusa de atendimento. Mais de 11% relataram discriminação em serviços de saúde relacionados ao HIV, e 13,1% em atendimentos não relacionados.
Um dado alarmante mostra que 6,6% tiveram sua sorologia exposta sem consentimento. A pesquisa também destaca que o estigma afeta a saúde mental: 41% relataram sintomas de ansiedade após o diagnóstico e 29,1%, depressão.
A discriminação atinge especialmente populações mais vulneráveis, como pessoas trans, travestis e profissionais do sexo. Entre os entrevistados trans, 86,7% relataram discriminação por identidade de gênero, e 67,7% sofreram assédio sexual.
Pela primeira vez, o impacto de eventos climáticos extremos no acesso a medicamentos foi incluído: 23% relataram dificuldades por causa de enchentes, secas ou ondas de calor.
Apesar dos avanços no combate ao HIV, como a supressão da carga viral em 95% das pessoas em tratamento, o estudo alerta que o estigma ainda impede que muitos iniciem ou mantenham o tratamento. Segundo os dados, 22,8% evitaram fazer o teste de HIV por medo da reação de outras pessoas, e 8,5% deixaram de procurar atendimento após sofrer preconceito.
O estudo contou com o apoio de entidades como Unaids, Fiocruz, CDC (EUA) e o Ministério da Saúde.