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Lula enfrenta maior baixa de popularidade desde tempos da cueca

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O trapalhão Didi Mocó certamente preferiria chamá-lo de “Ô, da cueca”, mas quem conhece a história sabe que se trata de José Guimarães, o atual articulador político do governo e a voz que ecoa junto aos congressistas em nome do presidente Lula. Contudo, sejamos francos: a famosa cueca recheada, que virou epítome do folclore político, não era dele.

O protagonista daquele episódio marcante foi José Adalberto Vieira da Silva, assessor de gabinete do então deputado federal petista, flagrado em 2005 pela Polícia Federal carregando dinheiro vivo… na cueca. A justificativa veio com um tom quase rural: era o pagamento para comprar gado. Esse acontecimento, que entrou para o anedotário político e enraizou-se na memória popular, se tornou uma das imagens mais icônicas da história do PT.

Nos últimos dias, com a indicação do novo ministro José Guimarães para liderar as negociações políticas do governo, pouco se falou sobre aquele episódio. E talvez seja justo assim. A história já tem quase duas décadas, os jornais da época estão amarelados, e muitos dos repórteres que cobriram o caso já colecionam cabelos brancos. Além disso, é importante lembrar que Guimarães nunca foi condenado pelo ocorrido. Lula, ao trazê-lo para um cargo tão estratégico, demonstra confiar em sua habilidade como articulador e desconsiderar aquele polêmico momento do passado.

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Guimarães, hoje, é reconhecido como um político eficiente, capaz de “entregar” resultados, atributo citado até por parlamentares de oposição. Foi crucial na aprovação de temas centrais ao governo, como o novo arcabouço fiscal, o que reforça sua reputação entre seus pares como alguém hábil na condução de negociações complexas. Ainda assim, a sombra da “cueca” permanece, não como uma acusação, mas como uma marca difícil de apagar, acessível à memória popular de maneira mais simples que qualquer dado técnico sobre orçamento ou políticas públicas.

Na época daquele escândalo, o cenário era outro. Lula enfrentava o furacão do mensalão, mas tinha números de desaprovação de 32%, uma situação gerenciável para um presidente com sua capacidade de reação. E como Lula reagiu: o Bolsa Família dobrou de tamanho em pleno escândalo, o salário-mínimo aumentou acima da inflação e políticas como o ProUni e o crédito consignado deram fôlego a seu governo.

Hoje, o cenário é mais desafiador. O Lula do terceiro mandato já não dispõe da folga fiscal de outrora. As pesquisas mostram desaprovação em torno de 50%, e o ambiente político é ainda mais volátil, com uma economia pressionada e limitações orçamentárias evidentes. Mas, mesmo em tempos de restrição, Lula parece disposto a repetir sua velha fórmula política: aproveitar a experiência de aliados estratégicos para manter o governo em movimento.

José Guimarães não foi escolhido apenas por sua história ou pelo elo com o PT, mas por ser um negociador experiente num momento em que o governo precisa, mais que nunca, de especialistas nas complexas articulações do Congresso. A indicação é um reflexo da necessidade de resultados rápidos, enquanto uma crise rondando o horizonte pode, desta vez, estourar sem teflon e sem cueca para suavizar o impacto.

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Jornalista: José Claudenir de Almeida

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