O sistema de pedágio sem cancelas, conhecido como free flow, pode passar por uma transformação importante no Brasil. O governo federal estuda integrar a cobrança diretamente ao aplicativo da CNH Digital, facilitando a vida dos motoristas e tentando resolver um dos principais problemas atuais: a falta de informação sobre as cobranças.
A proposta, coordenada pelo Ministério dos Transportes, prevê que o condutor receba uma notificação no celular cerca de uma hora após passar por um trecho com pedágio eletrônico. A mensagem traria detalhes do trajeto e um link direto para pagamento, tornando o processo mais rápido e transparente.
Segundo o ministro George Santoro, a medida está em fase final de ajustes, após cerca de um ano de քննարկões. O texto ainda passa por análise jurídica antes de ser oficialmente publicado.
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Hoje, muitos motoristas enfrentam dificuldades com o modelo free flow justamente por não conseguirem identificar facilmente quando e onde foram cobrados, especialmente aqueles que não utilizam tags automáticas. A integração com a CNH Digital surge como tentativa de centralizar essas informações em um único lugar.
Outro ponto importante da proposta é a revisão de multas já aplicadas. O governo avalia permitir que motoristas regularizem débitos pendentes e, em troca, tenham penalidades canceladas e até valores devolvidos. O impacto dessa medida pode chegar a cerca de R$ 70 milhões.
A gestão do sistema deve ficar sob responsabilidade da Secretaria Nacional de Trânsito, enquanto concessionárias e usuários terão um prazo de adaptação às novas regras.
A discussão acontece em meio a críticas ao modelo. Apesar de eliminar praças físicas e prometer mais fluidez no trânsito, o free flow ainda gera dúvidas sobre transparência, forma de cobrança e aplicação de multas. Em alguns casos, motoristas relatam cobranças inesperadas ou dificuldades para pagamento.
Além disso, o modelo ainda não é totalmente proporcional ao uso da rodovia, como inicialmente prometido. Hoje, apenas a Rodovia Presidente Dutra aplica esse sistema de forma mais completa, cobrando de acordo com o trecho percorrido.
A expectativa do governo é que o free flow evolua gradualmente nos próximos anos, com prazo de até cinco anos para adaptação total das concessionárias.
No fim das contas, a proposta busca equilibrar tecnologia e praticidade — tentando transformar um sistema ainda confuso em uma experiência mais simples para o motorista brasileiro.